BE quer salários de gestores públicos limitados ao ordenado do primeiro-ministro
O líder parlamentar do BE diz que o partido vai apresentar uma iniciativa para limitar os salários dos gestores públicos ao ordenado do primeiro-ministro. Mas a oposição não é só à esquerda.
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, anunciou hoje que o partido vai apresentar no parlamento uma iniciativa para limitar os salários dos gestores públicos ao ordenado do primeiro-ministro. É mais uma peça numa polémica que se tem adensado em torno dos ordenados dos administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD)
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“Propomos que os salários dos gestores públicos, incluindo da Caixa Geral de Depósitos, não sejam superiores ao do primeiro-ministro, o cargo executivo mais importante do país”, anunciou Pedro Filipe Soares esta tarde.
Nesse sentido, o BE quer eliminar as exceções criadas e dessa forma responder a vencimentos “inaceitáveis e incompreensíveis”, apresentando a sua visão sobre a matéria na discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2017.
“Apresentaremos uma proposta justa, decente, razoável e adequada para acabar com esta vergonha nacional”, continuou o líder da bancada do BE. Catarina Martins já tinha dito que toda a situação da CGD “é lamentável”. “Não pode estar à frente da CGD quem não quiser cumprir deveres de transparência sobre os seus rendimentos”, realçou a deputada do partido de esquerda, referindo-se à decisão de António Domingues de não divulgar os rendimentos dos administradores da Caixa. “Não há razão nenhuma para quem administra o banco público ter menos obrigações de transparência que um titular de cargos políticos”, sustenta Catarina Martins.
PSD e a exceção “escandalosa”
O PSD anunciou hoje que vai desdobrar o projeto de lei que visa acabar com a exceção “escandalosa” para os administradores da CGD, autonomizando o ponto relativo à transparência para promover o consenso entre os partidos no parlamento.
Na sexta-feira, o PSD deu entrada no parlamento de um projeto de lei para voltar a incluir a Caixa Geral de Depósitos (CGD) no âmbito da aplicação da lei que regula o Estatuto do gestor público, (lei 71/2007), ao revogar o ponto 2 do artigo 1.º, pretendendo fixar na lei os critérios da “razoabilidade e adequação” nos salários dos gestores públicos, num diploma que visa ainda garantir que a administração da CGD fica obrigada aos deveres de transparência.
Hoje, em declarações à agência Lusa, o líder da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, antecipou que os sociais-democratas vão “desdobrar a proposta apresentada sexta-feira”, considerando que esta questão é uma “pouca-vergonha” porque “é absolutamente escandaloso que o presidente da Caixa se dê ao luxo de afirmar publicamente que não cumpre essa disposição legal e o Governo lave daí as mãos dizendo que não é nada consigo”.

“A forma mais expedita de resolver esse assunto é autonomizar a parte relativa à transparência, que fazia parte do nosso projeto, e suscitar junto dos partidos uma aproximação para que se resolva de uma vez por todas uma situação escandalosa. Nós desdobraremos a nossa iniciativa em duas para que não haja nenhum álibi por parte dos partidos”, explicou.
Transparência é a palavra de ordem
A presidente do CDS-PP também defendeu que é incompreensível que um administrador público esteja dispensado de obrigações de transparência e reiterou que os centristas vão apresentar um projeto que garanta a obrigatoriedade de apresentação de declaração de rendimentos.
“Não é compreensível para ninguém que alguém que se dispõe a exercer funções públicas, numa empresa pública, possa estar dispensado das obrigações normais deste tipo de cargos”, afirmou Assunção Cristas, reiterando, como o partido já havia anunciado, que o CDS apresentará um projeto.
A polémica agravou-se depois de António Domingues te dito que não apresentará declaração de rendimentos junto do Tribunal Constitucional, tendo um parecer dos órgãos internos do banco público a sustentar que não está obrigado a entregar essa declaração. O presidente da CGD já disse que o banco está a “a respeitar escrupulosamente a lei”. Não apresentar declarações de património foi uma das condições que o presidente da CGD apresentou a Mário Centeno.
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