O que é que a AT&T quer mesmo depois de comprar a dona da HBO? Bater a Netflix

A AT&T quer posicionar-se o mais rapidamente possível no mercado de streaming de vídeos. E a compra da Time Warner ajuda a acelerar esse processo.

Construir uma plataforma de vídeo digital que seja capaz de ultrapassar a da Netflix. É esta a intenção da operadora de telecomunicações AT&T, que está a tentar adquirir a Time Warner, numa operação avaliada em mais de 78 mil milhões de euros (ou 85,4 mil milhões de dólares), escreve o Financial Times.

A estratégia descrita por Randall Stephenson, presidente executivo da AT&T, é clara: ao comprar a Time Warner, dona da cadeia televisiva HBO e da Warner Bros, maior estúdio de Hollywood, a AT&T consegue ser mais rápida a desenvolver novos conteúdos de vídeo e, dessa forma, compensar o declínio do seu serviço de televisão por satélite, a DirectTV.

Ao mesmo tempo, coloca-se numa posição mais forte para responder à ameaça crescente de serviços de streaming como os que são oferecidos pela Netflix ou pela Amazon.

Com ou sem aquisição da Time Warner, a AT&T já está a preparar-se para disputar este mercado, com a plataforma de vídeos DirectTV Now, a ser lançada este mês. O problema, como o próprio Stephenson admite, é que a plataforma não vai oferecer muito do que conteúdo que pretendia, uma vez que não foram concedidas permissões por parte dos proprietários desses conteúdos.

Mas os planos mantêm-se: “Há muitas coisas que queremos mesmo fazer com esta plataforma — partilhar com os seus amigos conteúdo que está ver, através de mensagens ou redes sociais”, explica Stephenson, citado pelo Financial Times. “Os nossos clientes estão a exigir isso”, acrescenta.

No entanto, reconhece, “desenvolver essas ferramentas com o atual conteúdo disponível está a revelar-se difícil. As pessoas são, obviamente, muito protetoras do seu conteúdo. É muito, muito difícil avançar com este tipo de inovação“.

Democratas e republicanos do mesmo lado: não à fusão

Antes disto tudo, a operação vai ter de passar pelo escrutínio dos reguladores, o que não será missão fácil. Desde logo, porque os reguladores norte-americanos têm vindo a apertar o cerco às fusões entre grandes empresas. Veja-se, por exemplo, a fusão das farmacêuticas Pfizer e Allergan, que acabou por cair depois de o Departamento do Tesouro norte-americano ter avançado com novas regras para desencorajar este tipo de acordos.

Nesse caso, as motivações eram diferentes. A fusão da Pfizer com a Allergan ia servir para a Pfizer mudar a sede para Dublin, na Irlanda, país conhecido por celebrar acordos fiscais com multinacionais. Resumidamente, a farmacêutica conseguiria reduzir drasticamente a carga fiscal, algo que os reguladores norte-americanos optaram por travar.

No caso da AT&T/Time Warner, a intenção não é essa, visto que ambas as empresas estão sedeadas nos Estados Unidos, mas nem por isso a operação está a ser bem vista. Sobretudo porque, a ir para a frente, cria um colosso das telecomunicações. É esse, precisamente, o argumento da 21st Century Fox, um dos maiores concorrentes da Time Warner, que defende que “uma operação desta dimensão, assim como o impacto que terá sobre os consumidores, deverá merecer o mais elevado nível de escrutínio por parte dos reguladores”.

"A compra da Time Warner pela AT&T é uma operação que não vamos aprovar no meu mandato, porque é demasiada concentração de poder nas mãos de demasiado poucos.”

Donald Trump

Candidato republicano à presidência dos EUA

Por outro lado, seja quem for o próximo ou próxima presidente dos Estados Unidos, tanto republicanos como democratas criticam esta fusão.

Hillary Clinton, candidata pelo Partido Democrata, não comentou diretamente a operação, mas já prometeu combater eventuais abusos de poder de mercado. Já Donald Trump, candidato republicano, foi bastante claro: “A compra da Time Warner pela AT&T é uma operação que não vamos aprovar no meu mandato, porque é demasiada concentração de poder nas mãos de demasiado poucos”.

O Departamento de Justiça e a Comissão Federal do Comércio norte-americano ainda não se pronunciaram sobre a fusão, mas o presidente executivo da AT&T está confiante que o negócio vai ser aprovado pelos reguladores, sublinhando que há poucas fusões entre empresas que não atuam no mesmo segmento que tenham sido travadas.

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