Compras de Natal dos portugueses vão ser mais modestas este ano

  • Marta Santos Silva
  • 7 Novembro 2016

Gastam menos do que no ano passado, mas os valores continuam altos quando comparados com os de 2011. A maior parte dos consumidores deixa as compras para duas semanas antes da consoada.

 

Os portugueses contam gastar um pouco menos nas compras de Natal do que no ano passado, e mesmo o valor planeado para cada presente desceu ligeiramente. Mas a descida é pequena — os valores continuam altos quando comparados com os mais baixos registados entre 2011 e 2014.

O saco das compras de Natal do consumidor português médio vai valer 211 euros, com o presente mais caro a custar 53 euros e o mais barato a custar 26. Pelo menos é o que preveem os consumidores inquiridos pelo Observador Cetelem, que divulga esta segunda-feira os dados do seu inquérito às intenções de consumo para este Natal.

As previsões de gastos dos portugueses são, assim, mais modestas do que o máximo registado em 2015, quando a intenção era de gastar em média 241€ nas compras de Natal. Ainda assim, são previsões mais altas do que os valores registados pela Cetelem entre 2011 e 2014, quando ficavam sempre abaixo dos duzentos euros.

Deixar as compras para duas semanas antes

A maior parte dos consumidores portugueses prefere comprar os presentes só nas duas semanas antes do dia de Natal — cerca de 31% dos inquiridos pela Cetelem. Logo a seguir, 28% diz que começa a fazer as compras com um mês de antecedência. Na minoria estão aqueles que deixam tudo para a última semana — 10% — e os que começam com dois meses de antecedência, que são apenas 5% dos inquiridos.

É informação que poderá ser valiosa para os publicitários que querem apostar num aumento de vendas no Natal. A empresa de publicidade digital britânica AppNexus escreveu num relatório recente que as empresas britânicas gastariam os seus fundos de publicidade de forma mais eficiente ao apostar nas duas semanas antes do Natal, e não em começar em novembro.

No Reino Unido, lê-se no relatório da AppNexus, os anúncios digitais de Natal têm taxas de conversão mais baixas durante o mês de novembro, ou seja, a fração de pessoas que, ao ver um anúncio, acaba por fazer uma compra é bastante baixa. Nas últimas duas semanas, a aposta nos anúncios digitais acaba por compensar muito mais.

 

Como se compara Portugal com os vizinhos europeus?

Em França, a tendência também é para descer. Segundo um inquérito realizado pela empresa de sondagens YouGov para o MaRéduc, os franceses têm um orçamento mais apertado, e esperam gastar cerca de 244 euros nas prendas de Natal. Um terço dos franceses prevê gastar menos, justificando-se com uma diminuição dos rendimentos do agregado familiar e um aumento das despesas imprevistas em 2016. É uma inversão do registado em 2015 em França, quando os orçamentos médios de Natal aumentaram.

Em Espanha, os dados mais recentes de intenções de consumo para o Natal são os que anteciparam as festividades do ano passado, quando a consultora Deloitte concluiu que, entre comida, lazer e presentes, cada agregado espanhol previa gastar 684 euros, em média. Deste total, 264 euros seriam alocados às prendas. A Deloitte previa, no entanto, que os orçamentos previstos pelos espanhóis fossem ultrapassados. “É provável que no último momento o fator emocional faça com que o consumidor espanhol gaste mais do que o que pretendia, como aconteceu no ano passado”, lia-se no relatório citado pelo El País.

 

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