Nuno Amado: “Temos que ter a CGD pública”

  • Lusa
  • 10 Novembro 2016

o presidente do BCP mudou de opinião. Se há alguns anos defendia a CGD privada, agora defende que deve ser do Estado. É "para não sermos ingénuos", diz.

O presidente do BCP, Nuno Amado, destacou hoje a importância de Portugal manter a Caixa Geral de Depósitos (CGD) como um banco público, considerando que a nova realidade do setor bancário não permite outra opção.

“Hoje sou defensor da existência de um banco público em Portugal. Não pensava assim há três, quatro ou cinco anos, achava até que era um erro para o país. Mas hoje acho que temos que ter a CGD pública para não sermos ingénuos“, afirmou o líder do maior banco privado português.

Nuno Amado participava num debate promovido pelo Instituto Português de Corporate Governance (IPCG), em Lisboa, tendo admitido que as alterações no setor nos últimos anos, e a própria evolução na realidade do bloco de países que partilham a moeda única europeia, o levaram a alterar o modo como olha para a CGD.

Eu estou cada vez mais radical e acho que o Estado não deve estar na economia, deve regular a economia“, lançou, apontando para setores como o do cimento, do papel e das telecomunicações, mas abrindo uma exceção para a banca.

“No enquadramento que hoje temos, acho que devemos manter um banco público. Não era este o meu entendimento, mas agora é“, reforçou.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Nuno Amado: “Temos que ter a CGD pública”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião