Hotéis portugueses vão ter “Booking” só para si

A Associação da Hotelaria de Portugal vai criar plataforma agregadora da oferta hoteleira, com comissões mais baixas do que as que são cobradas pelas plataformas internacionais.

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) vai criar uma plataforma semelhante à booking.com, mas apenas para hotéis portugueses e com comissões bastante inferiores às que são cobradas pelas plataformas internacionais. O investimento já está garantido e a plataforma deverá ficar pronta até ao final do próximo ano.

A informação foi avançada por Raul Martins, presidente da associação, e Cristina Siza Vieira, diretora executiva, e confirma, agora com mais detalhe, aquilo que já tinha sido dito em entrevista ao ECO.

“É a forma de a hotelaria se autorregular e tomar nas suas mãos o seu futuro — sem desvalorizar sites como o Booking, sem os quais muitos dos hotéis portugueses nem estariam no mapa. Mas em nenhum setor é bom haver monopolistas”, referiu Cristina Siza Vieira, num encontro com jornalistas, a propósito do 28º Congresso da Hotelaria e Turismo, que está a decorrer nos Açores.

A ideia é ter uma plataforma agregadora da oferta hoteleira em Portugal. “Mas não é uma central de reservas”, isto é, a plataforma, ainda sem nome definido, irá redirecionar os turistas para os sites próprios dos hotéis e é lá que serão feitas as reservas.

Ou seja, “os hotéis farão as próprias vendas” e terão, obrigatoriamente, de ter sites próprios, algo que não acontece numa fatia muito significativa dos hotéis portugueses. Isto obrigará, assim, a uma formação em marketing, comunicação, gestão de preço e gestão de posicionamento, refere Cristina Siza Vieira.

70% do financiamento, já garantido, será assegurado pelo Sistema de Incentivo a Ações Coletivas, no âmbito do programa Compete. A AHP não revela, contudo, o valor deste investimento.

No fim, o objetivo é que a hotelaria consiga ter uma plataforma de promoção com custos reduzidos, uma vez que este “não é um investimento feito com o objetivo de lucro”, explicou ao ECO Raul Martins. E não é, garante Cristina Siza Vieira, “fazer concorrência à Booking”, até porque “essa seria uma guerra perdida”. Seja como for, “é bom que os hotéis sejam donos dos seus negócios, sublinha.

“O país precisa de eventos como o Web Summit”

Na semana em que decorreu o Web Summit, 90% das camas dos hotéis lisboetas estiveram ocupadas, um valor que compara com uma taxa de ocupação a rondar os 65% num mês de novembro normal.

Perante este número, Raul Martins é claro. “O país precisa de eventos como o Web Summit para reduzir a época baixa“. Outras oportunidades deverão ser criadas, noutras cidades, para aumentarmos a ocupação durante todo o ano”, frisa o presidente da AHP.

Esquecendo o fator “época baixa”, o turismo tem vindo a brilhar nos últimos meses. Esta semana, o Instituto Nacional de Estatística revelou que o PIB cresceu, no terceiro trimestre, 1,6% em termos homólogos e 0,8% em cadeia, valores que ficam, em muito, a dever-se ao turismo.

O contributo do setor não surpreende Raul Martins. “Se para uns é surpresa, para nós não”, sublinha, para concluir que “Portugal vale mais do que aquilo que temos nos nossos preços“.

A jornalista viajou para Ponta Delgada a convite da Associação da Hotelaria de Portugal.

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