Malparado no Popular? Banco tem de vender ativos

  • Rita Atalaia
  • 9 Dezembro 2016

O novo presidente do Popular terá agora a importante missão de "limpar" o malparado do balanço do banco. A resposta, segundo analistas, parece ser a venda de ativos imobiliários a fundos.

O Banco Popular está no início de uma nova era com o novo presidente Emilio Saracho. O antigo vice-presidente global do JP Morgan Chase tem agora em mãos a difícil tarefa de “limpar” o balanço do banco, nomeadamente o crédito malparado. Para os analistas, a entidade, que tem agora uma estratégia ambiciosa de amortizações, terá de apostar na venda de carteiras de ativos imobiliários.

Primeiro, chegou a acordo para a rescisão voluntária de mais de 2.600 funcionários. Depois, decidiu afastar o seu presidente, Ángel Ron, para substituí-lo por aquele que é considerado o melhor banqueiro espanhol, Emilio Saracho. O Banco Popular enfrenta um mar de incertezas, que incluem a pressão em Bolsa, uma liderança bicéfala — o processo de substituição do atual presidente só fica concluído no primeiro trimestre de 2017 — e possíveis perdas milionárias com crédito malparado e ativos de má qualidade. E estes ativos tóxicos têm de ser “limpos” do seu balanço o mais depressa possível.

Segundo a Autoridade Bancária Europeia, o malparado e a fraca rentabilidade dos bancos são dois dos riscos que o setor enfrenta. O rácio de malparado nos bancos europeus encolheu para 5,4% na semana metade deste ano, dos 6,5% registados no final de 2014. “Apesar de haver sinais de melhoria, a qualidade dos ativos é ainda fraca”, diz a EBA.

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Neste cenário, o Popular está a depositar as suas esperanças no chamado projeto “Sunrise”, ou seja, nascer do sol, diz o jornal espanhol Cínco Dias, depois de falar com vários analistas. Este projeto inclui a criação de um “banco mau” do próprio Popular para eliminar seis mil milhões de euros de ativos tóxicos.

No entanto, a aprovação deste projeto depende do Banco de Espanha, Banco Central Europeu e regulador do mercado espanhol, que devem garantir se o plano do banco vai realmente diminuir o risco e a sua exposição ao setor imobiliário. Independentemente do projeto “Sunrise”, que permitiria diminuir um quinto dos ativos tóxicos do Popular, o banco enfrenta a necessidade de apostar na venda de grandes carteiras de ativos imobiliários a investidores institucionais ou a fundos de investimento.

Os analistas acreditam que esta deve ser a prioridade do banco e que a entrada de Saracho pode marcar a diferença. “O futuro presidente (…) conta com uma vasta experiência no setor financeiro”, dizem analistas do Bankinter, que assumem que sua nomeação gera “a expectativa de que haverá uma melhoria do plano estratégico do banco ou uma execução mais rápida do mesmo e a total reorganização da entidade”.

“Como o novo presidente tem um perfil muito inclinado para a banca de investimento“, isso poderá ajudar a avançar com a venda de ativos imobiliários, diz Nuria Álvarez, analista de Renta 4. Além disso, o mercado espera um aumento global dessas operações nos próximos meses após um ano de relativa apatia, marcado pela incerteza sobre a formação de um Governo em Espanha.

Aumento de capital? Não para já

O jornal espanhol já tinha dito que um novo aumento de capital parece estar descartado. Segundo a edição de terça-feira do jornal espanhol Cinco Días, o conselho de administração do Popular defende a independência do banco e descarta uma nova injeção de capital — desde 2012, os acionistas já desembolsaram 5.400 milhões de euros em três aumentos de capital, o último em maio deste ano. Isto apesar dos prejuízos esperados para este ano, que deverão situar-se entre os 2.400 e os 2.700 milhões de euros.

A garantia da administração foi suficiente para dar força às ações do Popular, que chegaram a valorizar mais de 2%. Hoje, os títulos estão a corrigir dos ganhos acentuados das últimas sessões e recuam mais cerca de 4%.

Ações do Popular recuam 4%

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Fonte: Bloomberg

O Cinco Días lembra que, apesar da garantia dada agora pelo conselho de administração do Popular, o mercado acredita na necessidade de um aumento de capital entre os mil e os 2.100 milhões de euros para cobrir as perdas de 2016 e reforçar a recuperação.

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