Horta Osório: Aquisição mostra que Lloyds “recuperou completamente força financeira”

  • Lusa
  • 20 Dezembro 2016

Presidente do Lloyds Bank, Horta Osório, afirmou hoje que a aquisição da unidade de cartões de crédito ao Bank of America, a primeira desde a ajuda pública, é mais uma prova da recuperação financeira.

“O que permite ao Lloyds esta aquisição é que, depois de ter sido intervencionado pelo Estado inglês, o banco recuperou completamente a sua força financeira: passou a pagar dividendos há dois anos, já devolveu aos contribuintes britânicos mais de 17,5 mil milhões de libras [20,8 mil milhões de euros], com lucro, dos mais de 20 mil milhões [23,8 mil milhões de euros] que o Estado injetou”, afirmou à Lusa Horta Osório.

O Lloyd’s Banking Group anunciou hoje que irá comprar ao Bank of America a unidade de cartões de crédito da instituição norte-americana no mercado do Reino Unido por 1,9 mil milhões de libras (2,261 mil milhões de euros).

Em declarações à Lusa, o presidente executivo do Lloyds Bank sublinhou que esta é a primeira aquisição que o banco faz nos últimos oito anos, realçando que o negócio permite reforçar a quota nos cartões de crédito de 15% para 26%.

“Apareceu uma oportunidade na área de cartões de crédito, que correspondia totalmente às nossas aspirações estratégicas”, declarou, referindo que o Lloyds também está a crescer “bem organicamente nessa área”.

No dia em que o negócio foi anunciado, Horta Osório não descartou que o banco britânico aproveite ainda “outras oportunidades” de crescimento por aquisição: “Se houver outras oportunidades, igualmente com retorno alto para os acionistas, aproveitaremos, mas o objetivo é crescer organicamente, como tem vindo a crescer na área das pequenas e médias empresas”, declarou.

O banqueiro português realçou que “o Lloyd’s é o maior banco de retalho comercial inglês e está completamente focado em apoiar a economia inglesa“, contando com cerca de 25% dos clientes em Inglaterra.

“Mas na área de cartões de crédito estamos sub-representados, tendo apenas 15% do mercado. Com esta aquisição da área dos cartões de crédito, ficamos com cerca de 26% do mercado, em linha com a quota de mercado que temos nos clientes”, acrescentou.

Esta aquisição será financiada através de uma “geração interna de capital”, explicando o banqueiro que “o Lloyd’s gera atualmente 3,5 mil milhões de libras de capital por ano e esta transação representa 1,9 mil milhões, isto é, cerca de metade do capital”.

O banco indicou que o negócio, que manterá a marca MBNA, ficará concluído na primeira metade de 2017, depois das necessárias aprovações das autoridades reguladoras.

A unidade apresenta ativos valorizados em sete mil milhões de libras (8,330 mil milhões de euros).

De acordo com os detalhes do acordo, o Lloyd’s comprará a MBNA à FIA Jersey Holdings Limited, subsidiária do Bank of America, o que permitirá poupanças anuais em torno dos 100 milhões de libras (119 milhões de euros) dentro de dois anos.

O Governo britânico reduziu na semana passada a participação detida no Lloyds, para menos de 7% do capital social da instituição financeira, depois de em 2009, durante a crise financeira internacional, ter entrado no capital do banco ficando na altura com 43,4% de participação.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Horta Osório: Aquisição mostra que Lloyds “recuperou completamente força financeira”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião