Carros gastam mais do que se diz? “Não tem base científica”, garante a ACAP

  • Lusa
  • 21 Dezembro 2016

A ACAP contesta o estudo divulgado esta quarta-feira, que aponta um desvio médio de 42% no consumo de combustíveis face ao anunciado pelos fabricantes. "É especulativo", garante a associação.

O secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) contestou hoje o relatório da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente que aponta um desvio médio de 42% no consumo de combustíveis face ao anunciado pelos fabricantes. “Este estudo é especulativo e não tem base científica”, disse à Lusa Hélder Pedro, secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal, referindo-se ao relatório “Mind the Gap”, divulgado hoje pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, que pretende demonstrar que os automóveis gastam em média mais 42% do que é anunciado pelos fabricantes.

“O estudo é completamente precipitado e sem qualquer base científica. Vem agora falar em condições reais de condução sem ver como elas são. Ou seja, duas pessoas guiam o mesmo carro e uma delas pode ter um tipo de condução diferente da outra. Depende do condutor, depende do estado do veículo, depende da via”, sustentou Hélder Pedro.

Para o secretário-geral da ACAP, não há qualquer comparação, em termos técnicos, dos carros usados nas várias marcas e, por isso, insiste, o relatório não tem qualquer base científica. “É um estudo sem qualquer interesse e sem qualquer importância. Diz que o aumento (de consumo) é de 40% mas até podia dizer que eram 60% porque não é assim que as coisas são feitas”, frisou.

Para o responsável, as marcas cumprem “rigorosamente” a legislação atual. O relatório da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente está a “aproveitar” a discussão que está a ser desenvolvida neste momento ao nível das instâncias comunitárias, acrescentou. Hélder Pedro enquadrou o relatório na discussão que decorre em Bruxelas, ao nível da União Europeia e que prevê alterar o modo dos testes sobre os novos veículos que entram em circulação.

Neste momento, afirmou, existe uma legislação europeia sobre testes em laboratório e que permite comparar os níveis de consumo dos vários modelos entre si. “Em conjunto com a União Europeia, os construtores de automóveis concordam com a alteração da legislação europeia sobre mudanças na forma dos testes evoluindo para as condições reais de condução, de modo científico, prevendo-se que as inovações venham a ser implementadas em 2017”, disse ainda o dirigente da ACAP.

O estudo “Mind the Gap”, da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, organização que integra a associação ambientalista portuguesa Quercus, conclui que a diferença entre o consumo real e o consumo anunciado pelos fabricantes é cada vez maior. “A diferença entre os resultados (sobre consumo e emissões de CO2) dos testes de laboratório oficiais e o desempenho real dos carros tem vindo a crescer: aumentou de 9% em 2001 para 28% em 2012 e 42% em 2015”, conclui o estudo que foi hoje divulgado pela rádio TSF e colocado na página da federação.

“Este relatório analisa as diferenças entre os testes de laboratório e os dados reais respeitantes às emissões de CO2, assim como os níveis de consumo dos carros”, explica a organização, para quem o estudo demonstra que o sistema “falhou totalmente”.

“Os novos veículos não são tão eficientes como os fabricantes afirmam: em estrada, os progressos sobre redução de emissões estão efetivamente parados há quatro anos. Os fabricantes são os responsáveis pelo problema ao usarem lacunas do sistema e, supostamente, em alguns casos, usam ilegalmente material de teste defeituoso”, acusa a federação.

A organização indica também que os resultados “distorcidos” divulgados pelas marcas são “enganosos” para os condutores que não conseguem economizar a mesma quantidade de combustível que é anunciada pelos fabricantes.

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