O retrato em euros do Natal português

  • Marta Santos Silva
  • 23 Dezembro 2016

As prendas são para comprar no centro comercial, menos os brinquedos que vêm do hipermercado, as despesas quer em dinheiro quer em cartão estão em alta, e 10% ainda estão a acabar as compras de Natal.

A quadra natalícia já vai de vento em popa e muitos portugueses já fizeram as compras de Natal, mas 10% deixaram tudo para a última semana. É por isso que os centros comerciais — onde os portugueses preferem comprar os presentes — vão continuar apinhados, embora para as compras de comida e de brinquedos os preferidos sejam os hipermercados. E as previsões de gastar um pouco mais do que no ano passado estarão a concretizar-se, tanto em dinheiro como por Multibanco.

Estudos e estatísticas permitem saber onde e como os portugueses preferem gastar o seu dinheiro no Natal, e traçar um retrato do consumo — em aumento — nesta época.

Onde e quando se fazem as compras?

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Crédito: William Murphy

A maior parte dos consumidores portugueses — cerca de 31% — prefere fazer as compras nas duas semanas antes do dia de Natal, enquanto 28% começa com um mês de antecedência. O estudo do Observador Cetelem que chegou a esta conclusão mostrou também que as exceções estão em ambos os extremos: 10% deixa tudo para a última semana e só 5% dizem começar dois meses antes do Natal.

Quais os sítios mais procurados, inclusive por aqueles que ainda estão a acabar de rechear o saco dos presentes? O Estudo de Natal 2016 da consultora Deloitte mostrou que os consumidores portugueses continuam a preferir os centros comerciais. Só nas compras de comida e de brinquedos é que a escolha recai sobre os hipermercados e supermercados. São preferências que contrastam com as da maioria dos europeus, observa a Deloitte, que, no geral, preferem lojas de rua e cadeias de retalho.

Quais são os presentes preferidos?

Crédito: Craig D.
Crédito: Craig D.

Ainda segundo o Estudo de Natal 2016 da Deloitte, os presentes favoritos em Portugal para oferecer são chocolates, roupa, calçado e livros.

Mas se ainda lhe faltar fazer algumas compras e quiser escapar à lista dos presentes mais oferecidos, o ECO tem algumas propostas, desde uma lista de presentes solidários para ajudar alguém na época natalícia até a sugestões de presentes portugueses que encaixam bem em qualquer orçamento.

Quanto se conta gastar… e quanto se gasta mesmo?

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Pela primeira vez desde 2009, os portugueses mostram-se menos pessimistas do que a média europeia em relação ao seu poder de compra, diz a Deloitte, e esperam gastar mais 45 euros no Natal do que em 2015. A perspetiva? Gastar 359 euros entre presentes, alimentação e bebidas e eventos sociais, com a percentagem alocada ao último aspeto a subir um pouco relativamente ao ano passado. É a maior quantia que os consumidores preveem gastar desde 2008, e o terceiro ano consecutivo em que esta aumenta.

A esta subida deve acrescer ainda o facto de que o consumo esperado costuma ser inferior àquilo que realmente se deixa nas lojas: “Desde 2014 que os portugueses têm declarado ter gasto mais do que as suas expectativas e acreditamos que a tendência se irá manter este ano”, disse Pedro Miguel Silva, associate partner da Deloitte.

Um estudo do IPAM divulgado recentemente indica dados ainda mais ambiciosos: cada consumidor pretende gastar 373 euros com os consumos relacionados com o Natal, o se trata das expectativas mais altas dos últimos seis anos. Mas mesmo alargando o orçamento, os portugueses não alargam o leque daqueles a quem vão escolher dar presentes: só 34% dos consumidores vai comprar prendas a pessoas que não são membros da família.

Os dados já revelados pela SIBS, a empresa que gere a rede Multibanco nacional, mostram que entre 28 de novembro e 18 de dezembro foram efetuados 25,7 milhões de levantamentos nas caixas, no valor de 1743 milhões de euros levantados. Já as compras, foram 60,4 milhões nos Terminais de Pagamento Automático Multibanco neste período, totalizando 2349 milhões de euros. Trata-se de um aumento de 3% em relação ao montante transacionado no mesmo período no ano passado.

O que esperam os comerciantes?

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“As vendas não estarão muito mal”, começou o vice-presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Vasco Mello, antes de acrescentar: “Estarão acima do ano passado, entre 10% a 15%”. A subida nas vendas, que o vice-presidente avançou à agência Lusa, dá-se principalmente na área do calçado, que está a ter o melhor registo — no caso da eletrónica, por exemplo, o consumo já é menor do que o do ano passado até esta altura.

No Chiado e na Baixa lisboeta, as expectativas para o resultado final destas compras de Natal são altas, em parte graças ao empurrão dos turistas. “Embora saibamos que a quadra natalícia é uma quadra de família, em que a família, quer queiramos, quer não, tem sempre disponibilidade e tendência para comprar”, disse à Lusa o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, Miguel Sousa Lopes, “não podemos enjeitar que o turismo, mesmo num período de Natal, ainda é um bom consumidor”.

Também o presidente da Associação de Valorização do Chiado, Victor Silva, afirmou que os comerciantes preveem um crescimento de “entre os 5% e os 10% em relação ao ano passado”. As estimativas, com base no aumento visto na altura dos descontos de Black Friday, são também apoiadas pelo reforço no turismo de inverno, “algo a que não estávamos habituados”, acrescentou Victor Silva.

O que espera o Turismo?

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Já em outubro o Barómetro do Turismo previa uma tendência positiva para o Natal e Passagem de Ano em Portugal este ano. Com base em 70 respostas, o Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo mostrava que 80% dos inquiridos previa que as festividades seriam “melhores” no que toca ao mercado externo.

O índice de confiança médio no desempenho do setor do turismo atingiu recentemente máximos históricos desde março de 2010, o que não deixa de impulsionar o consumo por arrasto.

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