Violas: “Se o BP aceitar estamos na corrida ao NB”

  • ECO
  • 3 Janeiro 2017

O maior acionista português do BPI quer evitar que a "quase totalidade" da banca portuguesa passe para as mãos de investidores estrangeiros. Entretanto, o contrato de Sérgio Monteiro foi renovado.

“Se o Banco de Portugal (BP) aceitar a nossa inclusão estamos na corrida ao Novo Banco“. A declaração, ao ECO, é de Tiago Violas Ferreira que pretende juntar-se ao consórcio Apollo/Centerbridge e assim tentar garantir uma presença nacional no capital do Novo Banco.

O objetivo, segundo adianta o gestor é “acabar com a ‘estrangeirização’ da banca”. A Holding Violas Ferreira (HFV), maior acionista português do BPI, quer entrar na corrida ao Novo Banco, avançou o Jornal de Negócios na edição desta terça-feira, mas o Banco de Portugal que tem de autorizar qualquer alteração aos consórcios concorrentes ao Novo Banco.

 

Fomos nós que contactamos o consórcio Apollo/Centerbridge e encetamos também contactos com outros grupos nacionais no sentido de os chamar para este projeto“, disse Tiago Violas Ferreira. Tiago reconhece que essas entradas poderão só acontecer numa fase posteriori. “Neste momento estamos sós“, admite o gestor. Questionado sobre se serão empresários do norte do país, o administrador limita-se a dizer que “são do país, mas a ideia é ter uma base nacional”. E adianta: “Os dois interessados na corrida ao Novo Banco são fundos que um dia mais tarde vão sair e portanto o que estamos é tentar assegurar a futura composição acionista do Novo Banco”.

Já sobre a capacidade financeira da Holding Violas Ferreira para entrar nesta corrida, o administrador é categórico: “Não entramos em nenhum processo em que não seja possível arcar com as consequências”.

A família Violas Ferreira tenta, assim, manter-se na banca portuguesa, depois de ter anunciado que pretende vender a participação de 2,681% que detém no BPI.

A intenção da família Violas Ferreira é comunicada numa altura em que já tudo aponta para que o fundo Lone Star seja o escolhido por parte do Banco de Portugal para ficar com o Novo Banco. Isto porque o China Minsheng não conseguiu apresentar uma prova de fundos financeiros — condição exigida para poder comprar o banco — e o consórcio liderado pela Apollo não chegou sequer a assinar um acordo de compra.

Marques Mendes também já comentou este assunto, dizendo que o Banco de Portugal deverá anunciar o Lone Star como a entidade escolhida “lá para os últimos dias desta semana”.

Sobrou o fundo Lone Star, que oferece 750 milhões de euros pelo Novo Banco mas que irá cancelar a oferta se a decisão não for tomada até dia 4 de janeiro.

Sérgio Monteiro recebe mais 152 mil euros para vender Novo Banco

O Banco de Portugal renovou o contrato com Sérgio Monteiro por mais seis meses. Segundo o documento disponível no portal Base, o antigo secretário de Estado dos Transportes vai receber mais 152,4 mil euros até maio deste ano, elevando para 458 mil euros o montante total que já recebeu desde que foi contratado para liderar o processo de venda do Novo Banco.

“O contrato inicia-se a 1 de novembro de 2016 e mantém-se em vigor pelo prazo de 3 meses, considerando-se automaticamente renovado por períodos sucessivos de 1 mês, até um máximo de 3 meses, se nenhuma das partes não o denunciar, sem prejuízo das obrigações acessórias que devam perdurar para além da sua cessação”, pode ler-se no documento.

O contrato foi inicialmente assinado a 1 de novembro de 2015 e previa que Sérgio Monteiro recebesse um total de 304,8 mil euros.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Violas: “Se o BP aceitar estamos na corrida ao NB”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião