A reunião 1.000 do BCE não deverá trazer grandes novidades

Comissão Executiva realiza esta quinta-feira a reunião número 1.000 para preparar um encontro de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) que não deverá trazer grandes novidades.

“A agenda provisória foi adotada”. Foi esta a primeira decisão tomada pela Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE) na sua reunião inaugural em 1998. A comissão volta a reunir-se esta quinta-feira pela milésima vez para preparar o encontro de política monetária. E o marco será devidamente celebrado na nova sede da instituição com uma pequena (e secreta) exposição sobre os 18 anos da sua história de altos e baixos. Depois das decisões tomadas na reunião de dezembro, a comissão liderada por Mario Draghi não terá muito trabalho desta vez. O mercado não espera grandes novidades do Conselho de Governadores.

“Não há expectativa que o BCE mude a sua política monetária esta semana”, diz Franck Dixmier, analista da Allianz Global. “Tal linha de ação confirmaria o empenho do BCE com um impacto de longo prazo nos mercados obrigacionistas, motivado essencialmente pela fragilidade da inflação implícita na Zona Euro”, justificou Dixmier, referindo-se ao facto de o conselho de governadores ter decidido estender em dezembro o programa de compras de dívida dos governos até final de 2017, imprimindo uma redução do ritmo de aquisições dos 80 mil milhões mensais para os 60 mil milhões.

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Nova sede do Banco Central Europeu custou 1,3 mil milhões de euros.DR

A exposição está apenas reservada a staff do BCE e a alguns convidados. Mostra como a instituição foi vivendo de forma mais ou menos intensa nas últimas quase duas décadas de existência do banco central da moeda única europeia. Mas pormenores sobre decisões tomadas pelas altas instâncias da autoridade monetária durante a crise de dívida ou no período em que a Grécia namorada a saída da Zona Euro vão continuar sem conhecer a luz do dia. As atas da Comissão Executiva, que formulam as políticas para aprovação pelo Conselho de Governadores, são guardadas em segredo durante 30 anos.

Longe das circunstâncias dramáticas que envolveram algumas reuniões nos últimos anos, o encontro desta quinta-feira será bem mais tranquilo. A inflação começa a dar os primeiros sinais de resposta à ação menos convencional que o BCE adotou para colocar a economia em rota de crescimento, apesar das críticas alemãs ao quantitative easing. E apesar dos receios de que o plano de compras comece a revelar-se ineficaz, numa altura em que o mercado começa a antecipar um cenário de falta de títulos portugueses disponíveis. Se esta situação poderia ser contornada com uma flexibilização das regras, isso não deverá acontecer.

“O patamar de manutenção de mais de 33% da dívida de um país é algo que, na nossa opinião, o banco central se recusará a ultrapassar. O mesmo é dizer que uma redução sensível dos investimentos acabará por se impor, mas nem o tapering, nem a suspensão do programa de compra de ativos nos parecem prováveis em 2017″, referiu Dixmier, salientando a estabilidade que Draghi e companhia tendem a conferir às suas políticas.

Ainda assim, desde a primeira reunião, a 2 de junho de 1998, o BCE já conheceu bastantes diferenças. Tem agora 4.000 trabalhadores ao seu serviço, em vez dos 400 com que começou há 16 anos, um aumento considerável da força de trabalho que forçou a mudança de instalações em 2014 para um arranha-céus que custou 1,3 mil milhões de euros. O número de nações que partilham a mesma moeda também aumentou, das 11 para as 19.

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