Bancos angolanos pedem ajuda ao Estado

Falta de liquidez no sistema financeiro angolano agravou-se com queda dos preços do petróleo. Banco pedem ajuda a José Eduardo dos Santos para evitar crise de confiança no mercado.

Os bancos angolanos estão a pedir ajuda ao Governo para a criação de um fundo de resgate que proteja os depositantes da falta de liquidez do sistema financeiro do país provocada pela queda dos preços do petróleo nos últimos anos.

“Os bancos devem ser ajudados porque têm problemas de liquidez que podem causar situações negativas em todo o sistema, colocando em causa a sua credibilidade”, declarou o Amílcar Silva, presidente da Associação de Bancos Angolanos, numa entrevista à Bloomberg. “Precisamos de olhar para esta questão em profundidade e decidir qual a melhor opção”, disse ainda aquele responsável.

"Os bancos devem ser ajudados porque têm problemas de liquidez que podem causar situações negativas em todo o sistema, colocando em causa a sua credibilidade.”

Amílcar Silva

Associação de Bancos Angolanos

A assistência financeira poderá vir diretamente dos cofres públicos ou em regime de partilha entre todos os 28 bancos que operam em Angola.

Em todo o caso, Amílcar Silva, líder da associação que representa 24 instituições financeiras do país, não especificou se a ajuda aos bancos seria facultada através da injeção de liquidez que melhoraria a conversão mais célere de ativos de curto prazo em dinheiro ou da injeção direta de capitais nos bancos mais problemáticos.

A situação na banca do país agravou-se desde meados de 2014, quando os preços do barril de petróleo começaram a cair de forma acentuada, colocando pressão no crescimento económico perante uma crise de liquidez em dólares que agravou a atividade das empresas. Apesar da recuperação dos preços do ouro negro no final do ano passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a economia angolana tenha registado um crescimento nulo em 2016.

Os empréstimos problemáticos mais do que triplicaram para 15% do total de crédito concedido no final de setembro de 2016 face aos níveis registados em 2010.

Segundo Amílcar Silva, os bancos mais pequenos foram particularmente afetados pela crise, acrescentando que as receitas deverão ter melhorado “ligeiramente” em 2016, depois de o banco central ter aumentado as taxas de juro por três ocasiões durante o ano passado para o máximo histórico nos 16%.

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