João Ferreira: “De onde virá o dinheiro para a Carris?”

João Ferreira, candidato do PCP a Lisboa, defende que a Carris se deve manter no Setor Empresarial do Estado e a área metropolitana deve ter uma palavra a dizer na gestão.

O candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, João Ferreira, é muito claro. “A Carris não devia sair da esfera do Setor Empresarial do Estado e as câmaras”, dos seis concelhos que são servidos pela empresa, devem ter “um papel determinante na gestão da oferta, das questões da bilhética, etc, no quadro da autoridade Metropolitana dos Transportes”, disse ao ECO. Caso contrário, “Lisboa sai prejudicada”.

João Ferreira considera que não faz sentido “onerar os munícipes de Lisboa” com os custos de uma empresa que serve também outros municípios.

Questionado sobre o que fará com a Carris, caso venha a ser eleito presidente da Câmara de Lisboa, João Ferreira explicou que “vai depender do quadro que se apresentar na altura, mas a preocupação será garantir um serviço à escala metropolitana”.

“Lisboa sai prejudicada se não houver uma gestão à escala metropolitana. Há que garantir que não pesa sobre o orçamento municipal e dificilmente será compatível tendo em conta que o peso dos custos que o serviço terá”, isto partindo do princípio que não haverá um aumento dos encargos, acrescenta o eurodeputado.

Como vai a Câmara de Lisboa pagar a Carris? João Ferreira também se coloca essa questão. E a conclusão a que chega é que não é possível. Mesmo que o Estado assumisse metade dos custos operacionais da empresa, tal como acontece com muitas outras empresas de transporte na Europa, “a Câmara só tens inscritos 15 milhões na rubrica do orçamento para 2017 para a mobilidade a afetar à Carris”, lembra João Ferreira, que também é vereador na câmara.

Mas o facto de ser vereador não o deixa numa posição privilegiada em termos de informação. O também candidato lamenta que o presidente Fernando Medina não seja claro quanto às formas como pretende financiar a empresa, “cujos custos operacionais são de 100 milhões de euros“. “De onde virá o dinheiro?”, questiona. “Os utentes só asseguram 50% dos custos”. “Pode vender património, mas essa não é a forma correta de gerir ou empurra a empresa para o financiamento, como tem sido feito nos últimos anos”, acrescentou. A extensão dos parquímetros a todas as zonas de Lisboa, como a zona Norte, será mais uma fonte de receita, mas “não faz sentido sobrecarregar os munícipes com mais taxas”, sublinhou.

João Ferreira acrescenta ainda: “Vamos ter a oportunidade, em 2019, quando acabarem as concessões rodoviárias na área metropolitana, de a Carris alargar a oferta. Medina não põe essa ideia de parte. Mas depois seria Lisboa a gerir um serviço que abrangeria ainda mais os outros municípios à custa do orçamento municipal de Lisboa“.

Vamos ter a oportunidade, em 2019, quando acabarem as concessões rodoviárias na área metropolitana, de a Carris alargar a oferta.

João Ferreira

Eurodeputado e candidato do PCP à Câmara de Lisboa

O eurodeputado que quer ser edil lembra também que sem transporte à porta, as pessoas optam por vir para Lisboa de carro. Perde Lisboa, perde o país pelo consumo excesso de consumo de combustíveis e pela poluição.

Quanto à polémica do momento, João Ferreira lembra que quando foi votada a municipalização da Carris na assembleia municipal da câmara de Lisboa, o PSD votou ao lado do PS nesta matéria. “Só o PCP votou contra. Vamos ver se essa maioria se vai reproduzir no Parlamento”, ironiza. “O que o PCP defende para a Carris dificilmente o PSD poderá apoiar”, conclui.

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