Marcelo deixa recados aos partidos e parceiros

Partidos e parceiros sociais devem repensar-se, sugere o Presidente da República. O importante é garantir a proximidade das pessoas e da realidade.

Recados e mais recados. Os parceiros económicos e sociais devem ter cuidado “para não descolarem das bases”. Os partidos têm de ser “capazes de olhar para a realidade e reformularem-se”. Estes foram dois avisos à navegação que Marcelo Rebelo de Sousa deixou num momento em que os parceiros sociais estão prestes a assinar uma adenda ao acordo de concertação que ditou o aumento do salário mínimo e que foi posto em causa pelo Parlamento na vertente da descida da Taxa Social Única.

“Atenção aos parceiros económicos e sociais para não descolarem das bases: não terem sindicalizados ou não terem representantes a nível patronal”, disse o Presidente da República, no primeiro episódio do programa Fronteiras XXI, da RTP1, dedicado ao populismo. “Por isso é que a concertação social é importante, tal como é o repensar dos parceiro económicos sociais“, acrescentou.

Quanto ao poder político os recados foram dois: mais proximidade, mas também capacidade de adaptação. “É fundamental a proximidade do poder político das pessoas, por isso tenho falado tanto de poder local”, justifica Marcelo. Por outro lado, “é importante algum consenso político entre partidos, mas é mais importante que eles se repensem, porque às vezes pode ser útil, como hoje é, haver, tendencialmente, dois termos de alternativa diversos sobre a governação do país”. “É bom haver alternativas, que cubram várias realidades e vários anseios”, frisa o Chefe de Estado.

É importante algum consenso político entre partidos, mas é mais importante que eles se repensem, porque às vezes pode ser útil, como hoje é, haver, tendencialmente, dois termos de alternativa diversos sobre a governação do país”. “É bom haver alternativas, que cubram várias realidades e vários anseios.

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República

Entre as suas “preocupações permanentes“, Marcelo Rebelo de Sousa colocou ainda um melhor funcionamento da Justiça, uma reformulação do Estado para estar mais próximo das pessoas, uma educação que assegure a vitalidade da democracia, um discurso político “que não seja politiquês”. Preocupações que talvez ajudem a explicar os elevados índices de popularidade do Chefe de Estado, caracterizado como o Presidente dos afetos.

E como o programa era sobre populismo, um fenómeno que tem ganhado lastro tanto na Europa como nos Estados Unidos, Marcelo elogia o facto da realidade portuguesa ser diferente face a outras europeias. “O nosso sistema politico, que é mais novo, tem uma plasticidade e uma capacidade de adaptação dos partidos, da realidade política e de algumas instituições, infelizmente não todas, para se ajustar”. Uma diferença que justifica “largamente”, pela “capacidade de rejuvenescimento” nacional e que permite ao Presidente “uma palavra de otimismo, não irritante”.

Marcelo defendeu ainda o populismo e as ruturas existentes nascem “da incapacidade de acompanhar novas realidade económicas, sociais, científicas e tecnológicas”. “As instituições são incapazes de se adaptar, funcionam mal” e tem um “distanciamento” muito grande entre o exercício do poder político das instituições e a realidade. “Era possível prever há já algum tempo a desatualização dos partidos, dos representantes dos parceiros económicos e sociais, da representação funcional”, defende. “Há desajustamento” que é necessário colmatar, alerta.

 

É inevitável EUA reconhecerem a importância da Europa

Os presidentes passam”. O alerta é de um Presidente. Marcelo Rebelo de Sousa, sem nunca se referir diretamente a Donald Trump, lembra que “há coisas que são inevitáveis”. “Podem demorar um mês, um ano, dois anos, três anos, mas são inevitáveis”.

A inevitabilidade a que Marcelo Rebelo de Sousa se refere é a de que os Estados Unidos vão inevitavelmente acabar por reconhecer a importância da Europa. O Presidente, assumindo o seu papel de professor, lembra que “na história ria dos EUA há muitos presidentes que começam por ser isolacionistas”, mas “volvido algum tempo convencem-se de que a Europa unida é melhor do que a Europa desunida”.

Questionado sobre se é essa a sua expectativa relativamente a Donald Trump, Marcelo frisa que “não é uma expectativa é uma certeza”.

“Os EUA precisam sempre da Europa como aliada fundamental. Seja o Presidente A, B, C, D ou E”, frisa Marcelo Rebelo de Sousa, alertando ainda que não se pode “confundir a conjuntura com a estrutura”. “Há coisas em que a Europa é insubstituível”, nomeadamente porque “percebe melhor” África, “a componente de Leste”, “a zona do Mediterrâneo, do Golfo e do Próximo e Médio Oriente”.

Os EUA precisam sempre da Europa como aliada fundamental. Seja o Presidente A, B, C, D ou E.

Marcelo Rebelo de Sousa

Presidente da República

E não é por a Europa ter ficado “parada a meio da ponte”, em termos de integração, que perdeu importância. Marcelo aponta o dedo ao facto de haver “dúvidas existenciais” sobre aqui que já integrou e de os vários países que integram o projeto europeu verem, “de formas completamente diferentes”, “o relacionamento com os vizinhos, a questão da segurança, do terrorismo, das migrações, dos refugiados, a evolução económico financeira”.

É verdade que “fazem um esforço para ter posições comuns, mas não basta”, alerta. “Devem ser posições comuns que respondam à resolução de problemas concretos de pessoas de carne e osso”, conclui.

 

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