Lobo Xavier sobre a CGD: “Já não há ninguém em Portugal que não perceba o que aconteceu”

Lobo Xavier disse, esta noite, na Quadratura do Círculo, que "já não há ninguém em Portugal que não perceba o que aconteceu". "Não percebo porque é que o Governo continua agarrado à semântica", disse.

António Lobo Xavier, futuro vice-presidente do BPI, criticou o Governo pelo modo como tem gerido a polémica à volta da correspondência trocada com António Domingues. O centrista disse, esta quinta-feira, na Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, que “já não há ninguém em Portugal que não perceba o que aconteceu”. “Não percebo porque é que o Governo continua agarrado à semântica”, disse, afirmando que os documentos revelados “mostram que houve obviamente troca de correspondência sobre as condições de exercício do cargo”.

Já não há ninguém em Portugal que não perceba o que aconteceu.

Lobo Xavier

Vice-presidente do BPI

Segundo Lobo Xavier, que já anteriormente tinha vindo revelar pormenores sobre o processo e diz manter “tudo o que disse”, a então nova equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos “impôs condições por escrito e oralmente”, mas o Ministério das Finanças “foi negligente a corresponder a essas condições”. De acordo com o centrista, “os técnicos de ambos os lados foram discutindo sobre se bastaria ou não alterar o Estatuto do Gestor Público”. “Os jornais não trazem tudo”, avisou.

Lobo Xavier chama a atenção para um pormenor: o comentador da Quadratura do Círculo refere que essa alteração no Estatuto era da “competência do Governo”, ou seja, “podia legislar sobre essa matéria”, “coisa que fez ao abrigo das férias de verão disfarçadamente”. Contudo, a lei de 1983 que viria a obrigar a apresentação das declarações está no âmbito das competências da Assembleia da República e, por isso, “o Governo não podia mudar sozinho”.

Assim, o Executivo teria de levar a alteração a discussão parlamentar e, argumenta o comentador, “não tinha a certeza que podia fazer passar a lei”. Lobo Xavier refere que o Governo optou por uma “via mais disfarçada” na esperança de que “ninguém levantasse a lebre”. No entanto, foi Marques Mendes que, no seu comentário semanal da SIC, alertou para este problema e o Presidente da República reiterou essa preocupação.

Vai-se perceber que há uma troca abundante de conversas.

Lobo Xavier

Vice-presidente do BPI

Mas para Lobo Xavier há algo claro: “Vai ser muito difícil se estes documentos e outros que eu sei que existem (…) vão ser do conhecimento do público e vai-se perceber que há uma troca abundante de conversas e diligências”. Para o centrista o Governo não tinha necessidade de se sujeitar a uma situação destas, mas também “agora já é tarde”. “As posições estão tão extremadas que é preciso ir às últimas consequências”, afirmou.

Esta quinta-feira, o CDS acusou o ministro das Finanças de entrar em contradição no caso da correspondência da Caixa Geral de Depósitos. O Ministério das Finanças já respondeu à acusação que dizem ser uma “tentativa vil de assassinato de caráter”.

(Notícia atualizada pela última vez às 23h36)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Lobo Xavier sobre a CGD: “Já não há ninguém em Portugal que não perceba o que aconteceu”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião