Parece um Qashqai? Mas é um Kadjar

O Qashqai já foi lançado há três anos. E é um sucesso de vendas. A Renault demorou a conseguir colocar o irmão gémeo no mercado nacional por causa das portagens, mas conseguiu. Será que vale a pena?

Demorou, demorou, demorou… mas finalmente chegou. O Kadjar, que já era uma realidade noutros países, começou finalmente a ser vendido no mercado nacional, após anos de ajustes para evitar que o SUV fosse penalizado na hora de pagar a portagem. É o irmão gémeo francês do bestseller do segmento, o Qashqai, mas será que tem argumentos para bater o original? A Renault esforçou-se… e conseguiu. A base é a mesma, mas a proposta gaulesa tem os seus próprios argumentos para atrair os consumidores.

Visto pela lateral, não engana: é um Qashqai. Mas tanto a parte dianteira como a traseira vincam a diferença face ao irmão mais velho. O Renault apresenta uma grelha de grandes dimensões, com o logo em grande destaque, ladeada de óticas com luzes diurnas impossíveis de passarem despercebidas: seguem a linha de outros modelos da marca, sendo facilmente identificável à distância de que se trata de um Renault.

Enquanto o Nissan ostenta linhas mais vincadas, mais atléticas, o Renault é todo ele “músculo”. Sentado ao volante, as bossas nas laterais do capot saltam à vista. À posição de condução elevada junta-se uma carroçaria encorpada que faz sentir o condutor um rei na faixa de rodagem. É só sensação, porque o Kadjar cabe onde outros cabem. E quando há dúvidas, estão lá todos os sistemas para ajudar a garantir que há espaço quanto baste (sejam os sensores, seja a câmara traseira para os estacionamentos em paralelo).

Carro grande, motor pequeno?

O Kadjar é encorpado. E o motor? Também vai ao ginásio. A marca tem o 1.6 de 130 cv, mas para este SUV, e ao contrário do que acontece no Qashqai, só há um motor disponível: o 1.5 dci de 110 cv. Parece limitador, mas não é bem assim. Apesar do peso extra do Kadjar face ao irmão gémeo, no teste realizado pelo ECO, os cavalos mostraram ser mais do que suficientes para superar as barreiras da condução citadina. E com fulgor quanto baste para ultrapassagens fora da cidade, sem precisar de reduções bruscas de engrenagem.

Embalado em auto-estrada, o SUV revela-se suave. O barulho do motor não é intrusivo, a suspensão é extremamente eficaz e os bancos confortáveis permitem fazer centenas de quilómetros sem grande desgaste do condutor ou dos ocupantes. Com o cruise control ligado (o botão para o acionar junto da caixa de velocidades não dá muito jeito), é ver os quilómetros passar sem esforço. E os litros de combustível? Não passam assim tão depressa. O ECO fez médias um pouco acima dos seis litros aos 100 km.

A informação dos consumos está junto ao velocímetro digital, em frente do condutor. E não é preciso desviar o olhar para ter a restante informação, nomeadamente os limites de velocidade da via, isto além das indicações da navegação e, claro, da estação de rádio. Mais detalhes estão no ecrã de sete polegadas com o sistema RLink 2 que tem comando de voz para a navegação, telefone e aplicações. Tem também o TomTom Traffic. É ótimo para evitar congestionamentos.

“Este é aquele… o Kadjar”

A altura ao solo mais elevada é uma mais-valia na cidade para ver por cima dos restantes companheiros de fila de trânsito. Mas pode sair cara quando se sai das nacionais e itinerários complementares rumo à autoestrada. Porquê? Por causa das portagens. A Renault andou às voltas para conseguir produzir um Kadjar que não penalizasse os proprietários nacionais devido à altura ao eixo dianteiro acima dos 1,1 metros que são a fronteira entre a Classe 1 e a 2. Conseguiu, mas sem Via Verde, nada feito.

Sem o identificador, o ECO fez o teste… e correu mal. Se nas autoestradas com portagens virtuais pagámos Classe 1, nas autoestradas, mesmo nos pórticos de pagamento automático, o resultado foi Classe 2. E nos pórticos com portageiro? “Boa tarde…”, dizemos, entregando o bilhete. “Este é aquele… o Kadjar?”, pergunta. “É, é…”. “Pois…”, diz o portageiro. “Se fosse o Qashqai pagava menos”, remata. Custou quase o dobro do que custaria com Via Verde. É um extra obrigatório!

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