Dombrovskis nem quer falar sobre reestruturação da dívida em Portugal

  • Margarida Peixoto
  • 24 Fevereiro 2017

O vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovskis, nem quis falar sobre reestruturação da dívida em Portugal. E até desvalorizou os progressos limitados nas reformas estruturais.

Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, não quis nem falar sobre o tema da reestruturação da dívida em Portugal. No seu último dia de visita a Lisboa, Dombrovskis frisou que o assunto não fez parte das conversas com o Governo português e que Bruxelas não quer “entrar em especulações, muito menos favorecer instabilidades”. De caminho, desvalorizou o facto de Portugal ter feito progressos limitados nas reformas estruturais. É que não foi o único, frisou.

Com uma dívida pública que persiste em torno dos 130% do PIB, o tema da reestruturação da dívida está novamente a chegar à ordem do dia. Esta quinta-feira, por exemplo, António Saraiva, presidente da CIP, pediu que Portugal avance neste caminho. Ontem, sem se referir especificamente a Portugal, foi a vez de três economistas da direção do Fundo Monetário Internacional frisarem que não vale a pena empurrar o assunto com a barriga. Mas Valdis Dombrovskis fechou a porta, sequer, a conversas sobre o assunto.

“Não fez parte dos nossos debates de hoje e sabemos que Portugal faz o seu trabalho. Não queremos entrar em especulações, muito menos favorecer instabilidades. Portugal estabilizou a sua posição e agora há que prosseguir nesta trajetória”, defendeu o vice-presidente da Comissão Europeia, durante a conferência de imprensa conjunta com o ministro das Finanças Mário Centeno, esta sexta-feira, em Lisboa.

Confrontado pela mesma questão, o ministro das Finanças português frisou que sem o efeito do financiamento necessário para a capitalização da Caixa Geral de Depósitos, o rácio da dívida pública no PIB cairia 2,4 pontos percentuais.

Valdis Dombrovskis reiterou que “se as tendências atuais se confirmarem e permitirem uma correção do défice sustentada, então pode na primavera sair do Procedimento por Défice Excessivo”. Valorizou o esforço de reforço do setor bancário por parte do Governo português, lembrou que o problema do malparado na banca deverá ser coordenado a nível da zona euro e sublinhou a recuperação do ritmo de crescimento económico no final de 2016.

E mesmo no que toca aos progressos “limitados no que diz respeito à implementação de recomendações específicas para o país, é preciso analisar estas questões no contexto europeu”. Ou seja, Portugal não foi o único: “Mais progresso é necessário quer ao nível europeu em geral, quer de Portugal em particular.”

Ainda assim, o responsável da Bruxelas falou com cautela tanto do impacto da recapitalização da CGD no défice, como da solução para o Novo Banco. Não se alongou sobre nenhum dos temas e disse que ambas as questões estão ainda em curso. “Falámos [o vice-presidente e o ministro das Finanças] da recapitalização da CGD. O ministro informou-me do trabalho em curso e da avaliação dos potenciais impactos no défice. Está a ser trabalhado a nível nacional e com o Eurostat”, disse Dombrovskis.

Já Mário Centeno preferiu enumerar diversos indicadores que dão conta dos últimos progressos da economia nacional, defendendo que os compromissos assumidos estão a ser cumpridos. O ministro rejeitou “euforia” ou “otimismo”, mas defendeu que “2016 trouxe boas notícias para Portugal e terão continuidade em 2017.”

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