Já cheira a 5G no MWC

O Mobile World Congress (MWC) deste ano respira 5G, a quinta geração das ligações à internet que se está a construir. Das palavras aos atos, começam a surgir aparelhos com velocidades ultra-rápidas.

O ZTE Gigabit Phone é capaz de atingir velocidades de rede próximas de 1 Gbps.Flávio Nunes/ECO

Há qualquer coisa no ar nesta edição do Mobile World Congress (MWC) — um cheiro a futuro. O aroma vem do stand da ZTE, que desenvolveu um protótipo de telemóvel capaz de atingir velocidades de internet próximas de 1 Gbps [gigabit por segundo]. É o aparelho até agora apresentado que mais se aproxima da tecnologia 5G, a quinta geração de internet. Outras marcas estão a trabalhar em tecnologia semelhante, mas a empresa chinesa decidiu antecipar-se e mostrar ao mundo o Gigabit Phone no Mobile World Congress (MWC) em Barcelona.

O telemóvel ainda não é um produto comercial, na medida em que é apenas uma experiência da marca para mostrar trabalho nesta área. As redes 5G estão a ser um dos temas quentes desta edição do MWC, a maior feira tecnológica de dispositivos móveis do mundo, que conta este ano com mais de 100.000 participantes na cidade catalã. Por outras palavras, não se sabe quando, ou se este telemóvel vai chegar efetivamente ao mercado.

Na feira, o ZTE Gigabit Phone alcançou velocidades teóricas de pouco mais de 970 Mbps [megabits por segundo]. A empresa recorreu a um método em que agrega a cobertura 4G de várias operadoras em simultâneo para as conseguir atingir. É diferente do método mais comum, já mostrado por várias empresas (incluindo a PT Portugal, no Web Summit), onde se usam equipamentos de grandes dimensões e termianis do tamanho de computadores portáteis, o que mostra uma vez mais o seguinte: ainda ninguém sabe bem definir o que é ou vai ser o 5G.

Quanto ao Gigabit Phone, a ZTE garante que está adaptado às novidades que o mercado cada vez mais enaltece. Estamos, claro, a falar da qualidade de vídeo 4K, da realidade virtual e do vídeo em 360 graus. Porém, não nos foi possível experimentar ou ver algo ligado a isso nesta edição do evento.

Pormenor do protótipo do ZTE Gigabit Phone, atingindo velocidades de ligação à volta dos 970 Mbps.Flávio Nunes/ECO

Uma corrida em contrarrelógio

Existem outras marcas a apostar no desenvolvimento de redes de nova geração. Com a emergência da internet das coisas, das casas inteligentes e dos carros conectados — e com os apelos da Comissão Europeia para que as operadoras comecem a lançar cobertura 5G em 2020 –, a Samsung, numa conferência de lançamento à margem do evento, apresentou dois routers com capacidades próximas daquilo que se idealiza vir a ser o 5G. Já a Huawei instalou duas antenas internas no P10 Plus para possibilitar aquilo a que chamou de 4,5G — a geração intermédia. A lista de marcas a dar cartas no 5G é extensa e inclui ainda a Qualcomm e a ARM.

O constante crescimento do número de dispositivos ligados à internet é o fator que mais tem pressionado a transição para o 5G. Existem demasiados dispositivos conectados para a largura de banda disponível, pelo que é preciso encontrar alternativas. O destaque vai para a Ericsson, uma empresa que tem vindo a desenvolver uma investigação contínua ao longo dos últimos anos, na expectativa de liderar o segmento quando o mercado atingir a maturidade. Recorde-se que, em meados deste mês, estabeleceu uma parceria com a Altice Labs na área do desenvolvimento e aceleração do 5G.

A edição do MWC deste ano respira 5G.Flávio Nunes/ECO

O resto é sabido. As marcas iniciaram uma corrida à quinta geração de redes móveis e começam agora a surgir os frutos do percurso até aqui percorrido. Esta edição do MWC é a prova disso, mas também um indicador de que é necessária colaboração entre as empresas para apressar a transição — ao invés de cada uma desenvolver uma tecnologia diferente por si. Porque, no final, o objetivo passa por ter todos os dispositivos ligados uns aos outros da mesma forma. Não de formas diferentes.

O ECO viajou para Barcelona a convite da Huawei Portugal.

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