Contrafação, uma indústria de 460 mil milhões de dólares

  • Juliana Nogueira Santos
  • 5 Março 2017

Ténis, malas, filmes e músicas. Há produtos para todos os gostos nesta indústria que corresponde a 2,5% do comércio internacional.

A contrafação e a pirataria têm sido os inimigos principais das empresas atualmente, com a venda de produtos falsos a prejudicar sistematicamente os resultados. Mas este deixou de ser um problema das empresas para se transformar num fenómeno maior: segundo um estudo da Frontier Economics, encomendado pela Câmara do Comércio Internacional e pela Comissão do Comércio Internacional, 2,5% do comércio internacional corresponde a bens contrafeitos e pirateados.

O relatório intitulado “The Economic Impacts of Counterfeiting and Piracy” conta com valores de 2013 — sendo, ainda assim, os mais atualizados — e traduz-se em 461 mil milhões de dólares. A escala aumenta ainda mais quando se têm em conta as previsões para 2022, que apontam para que este se torne num mercado de 991 mil milhões de dólares.

Mas se as empresas estão a apertar cada vez mais o cerco às contrafações e as autoridades têm cada vez mais meios de intercetar operações e reconhecer produtos imitados, como é possível que este mercado continue a ter tanto impacto na economia? A resposta é, como é para a maioria das coisas hoje em dia, a internet.

A Red Point, um empresa de proteção de marcas, estudou os movimentos comerciais e chegou à conclusão que a contrafação concentra-se em dez sites, mais ou menos conhecidos, seis deles com sede no Oriente, nomeadamente na China.

  1. AliExpress – 18%
  2. Facebook – 15%
  3. Tokopedia – 14%
  4. Amazon – 13%
  5. DHgate – 11%
  6. iOffer – 9%
  7. eBay – 8%
  8. JD.com – 7%
  9. Taobao – 3%
  10. Alibaba – 2%

Se o primeiro nome não é uma surpresa para ninguém, o segundo pode suscitar algumas dúvidas. Se o Facebook é uma rede social e não uma plataforma e-commerce, como é que surge nesta lista? Os grupos de compras e as páginas de lojas são agora um dos sítios mais frequentados por quem quer comprar objetos em primeira ou segunda mão. Assim, estabelecem-se como instrumentos práticos e com grande alcance para venda de produtos contrafeitos.

E os produtos mais populares? Engana-se se pensa que as malas de designer são o item cobiçado que todos compram imitado. “Malas, só para as mulheres, calçado para toda a gente”, afirmou, em entrevista à AdWeek, a CEO da Red Points, Laura Urquizu. “É um produto caro que atrai todas as pessoas.” Seguem-se, na lista, os aparelhos eletrónicos e os óculos.

Mais piratas virtuais

A Frontier Economics também focou o mercado da pirataria, materializado não só pelo download de torrents, que tem diminuído drasticamente, mas também pelo streaming ilegal. Assim, em 2015, o mercado da pirataria — que inclui filmes, música e software — valia 213 mil milhões de dólares.

Estima-se que tenham sido descarregados 47,8 mil milhões de filmes e 27,4 mil milhões de músicas, tendo-se registado uma diminuição nos downloads de música, não só devido às alternativas que têm vindo a surgir no mercado como mas também a uma mudança de paradigma, em que as pessoas acham que o pirateado não substitui o original.

O software também ocupa um lugar relevante, com os downloads de jogos a ocupar o topo das preferências dos piratas. Do valor total deste mercado negro do conteúdo, 11,3% é proveniente de software.

Prevê-se que este valor cresça ainda mais para atingir, em 2022, a fasquia dos 384 mil milhões de dólares, podendo ir até aos 856 mil milhões. Ainda assim, este podem não ser dados finais, visto que a atividade em certos países como a Rússia e a China, dois dos países no topo da lista de pirataria, pode não estar totalmente coberta pelos métodos de obtenção de informação da Frontier Economics.

E qual é a influência na economia?

A luta contra a contrafação e a pirataria tem de ser travada pelas empresas e pelos países, pois se, por um lado, estes fenómenos resultam em grandes perdas para os produtores, o relatório mostra que o impacto também se estende à economia global. Estima-se assim que as perdas em impostos possam ir dos 199 aos 270 mil milhões de dólares.

O fator criminoso do ato traz por si só despesas aos países, com estes a poderem ter de gastar 125 mil milhões de dólares para abordarem o problema. Em termos sociais, o emprego de muitos também fica em risco, com dois a 2,6 milhões de pessoas a poderem ser dispensadas.

Embora não se consiga traduzir em números, o relatório alerta também para o impacto deste mercado negro no produto interno bruto de um país, bem como em diversos outros fatores económicos e sociais.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Contrafação, uma indústria de 460 mil milhões de dólares

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião