Portugal paga mais para emitir 1.100 milhões em dívida

A República financiou-se esta quarta-feira em mais de 1.000 milhões de euros, mas os custos agravaram-se de forma considerável. IGCP garante mais de um terço do financiamento previsto para este ano.

O Tesouro português levantou esta quarta-feira 1.112 milhões de euros em dívida de longo prazo, mas pagou mais por isso. No leilão com maturidade a nove anos, o custo de financiamento agravou-se em mais de 100 pontos base, reflexo da instabilidade que acercou Portugal nas últimas semanas.

Foram a leilão duas linhas de Obrigações do Tesouro. E na operação de financiamento através de títulos com maturidade em 2026, o IGCP pagou uma taxa de juro de 3,95% por um montante de 612 milhões de euros em dívida. Isto representa um agravamento de mais de 100 pontos base face ao último leilão comparável: em junho do ano passado levantou 400 milhões de euros a um juro médio de 2,859%.

No leilão de obrigações com maturidade em 2020, o Tesouro pagou um juro de 1,261% para angariar um total de 500 milhões de euros, numa linha em que observou sólida procura: as manifestações de interesse por estes títulos foi 2,7 vezes superior à oferta.

“Os resultados do leilão de hoje refletem uma procura robusta, numa altura em que se observa alguma diminuição do risco antes dos eventos que se aproximam, como as eleições francesas em abril e a revisão de rating da DBRS, continuando a oferecer níveis de rentabilidade atrativos aos investidores”, destaca Marisa Cabrita, gestora de ativos da Orey Financial.

“Na linha a três anos, menos habitual, a procura foi especialmente elevada. Comparativamente aos últimos leilões desta obrigação, a yield exigida foi inferior, no entanto, o montante colocado substancialmente inferior”, frisou a responsável.

O montante de 1.112 milhões de euros conseguido com estes dois leilões ficou no intervalo médio face às metas que o IGCP tinha fixado, entre os 1.000 milhões e os 1.250 milhões de euros.

A operação eleva já para 5.292 milhões de euros o total de financiamento obtido com a venda de Obrigações do Tesouro desde o início do ano, correspondendo a mais de um terço total previsto para 2017, situado entre os 14 mil milhões e os 16 mil milhões de euros.

Ainda assim, a República tem encontrado condições mais adversas nestas primeiras idas aos mercados primários de financiamento em 2017, com vários fatores a contribuírem para a escalada dos juros em mercado secundário, nomeadamente a subida da inflação, dúvidas quanto ao impacto do programa de compras do Banco Central Europeu (BCE) e riscos específicos do país, onde se incluem as fragilidades do sistema financeiro.

Juros a 10 anos superam os 4% em mercado secundário

Fonte: Bloomberg (valores em %)

 

Marcelo fala de intervalo “razoável”

O Presidente da República comentou a emissão de dívida pública considerando que os juros estão num intervalo “que tem lógica” e “é razoável” no atual contexto, mas que exige um crescimento económico “muito maior”.

No final de uma visita à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), em Lisboa, questionado pelos jornalistas se está preocupado com o valor dos juros, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu, citado pela Lusa: “Não, neste sentido: nós estamos, neste momento, no quadro dos juros europeus, naquilo que era previsível”.

“Eu disse sempre que não seria previsível nos próximos tempos juros muito abaixo dos 4% – e tem andado nos 3,8%, 3,9% – nem acima de 4,5%. Portanto, encontra-se naquela faixa que é uma faixa que tem lógica, é razoável neste momento, mas que exige um crescimento muito maior para ir pagando a dívida pública acumulada ao longo dos próximos anos”, acrescentou.

(Notícia atualizada às 12h57 com declarações de Marcelo Rebelo de Sousa)

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