Lesados da PT/Oi queixam-se do Deutsche Bank dificultar acesso a documentos

  • Lusa
  • 9 Março 2017

Mais de 200 clientes que comparam junto do Deutsche Bank 100 milhões de euros em produtos relacionados com dívida da PT queixam-se que o banco está a dificultar o acesso aos documentos.

Protelar a ida para tribunal. É esta a justificação que os mais de 200 clientes que comparam junto do Deutsche Bank 100 milhões de euros em produtos relacionados com dívida da PT encontram para o facto de o banco estar a dificultar-lhes o acesso a documentos.

Segundo a informação dada à Lusa por estes clientes, estes têm visto “a sua vida dificultada por parte do banco alemão de todas as maneiras possíveis (…), desde as mais convencionais (não atender telefone, responder emails, etc) até ao solicitar um valor de 25 euros por cada documento solicitado”.

Estes clientes acusam o banco alemão de lhes ter vendido “de forma irregular e danosa 100 milhões de euros” em produtos estruturados complexos relacionados com dívida da PT (CLN – credit linked notes, com o nome Notes Portugal Telecom 2020) e com os quais tiveram elevadas perdas, tendo recebido apenas 10% do capital investido.

Os clientes já tentaram chegar a um acordo extrajudicial com o banco, mas sem sucesso. Além disso criticam que o banco não faça um tratamento global dos casos de todos os clientes e que peça 25 euros por documentos pela emissão de segundas vias de documentação.

Os clientes acusam, assim, a sucursal em Portugal de tentar impedir os clientes de exercerem os seus direitos, mesmo em tribunal.

Jorge Rocha, um dos clientes que se dizem lesados pelo DB, afirmam à Lusa que muitas das pessoas a quem foram vendidos os títulos “não têm sequer a escolaridade obrigatória, muitos não sabem ler nem escrever e têm produtos com ‘swaps’ de taxa de juro dentro”.

Além disso, acrescentou, apenas receberam 10% do capital quando as obrigações subjacentes no produto valem 35%.

Estes clientes fazem parte de um grupo de investidores que compraram aos balcões de vários bancos – Banco Best, Barclays ou DB – produtos estruturados complexos relacionados com dívida da antiga Portugal Telecom que viriam a estar subjacentes à operadora brasileira Oi com a fusão entre as duas empresas.

No ano passado, com a insolvência da operadora brasileira Oi (que está agora em tentativa de recuperação), estes produtos sofreram perdas consideráveis, já que foi considerado um “evento de crédito” pela Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA), o que implicou o reembolso antecipado dos produtos financeiros com perdas consideráveis.

No caso deste grupo de clientes do Deutsche Bank tratam-se de 206 pessoas que dizem ter perdido 90% do montante investido.

Queixam-se de que houve irregularidades na venda dos produtos e que o banco não lhes deu informação sobre a evolução da Portugal Telecom (PT) e as implicações que isso tinha para os seus investimentos.

Há um outro grupo de 100 clientes que também foram lesados pela venda destes títulos que vão processar os bancos que serviram de intermediários financeiros, tendo já feito uma queixa ao Provedor de Justiça.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Lesados da PT/Oi queixam-se do Deutsche Bank dificultar acesso a documentos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião