Offshores: PSD quer chamar Centeno ao Parlamento

O PSD considera que a grande maioria das declarações omissas ocorreu durante o mandato do atual Governo e quer chamar o ministro das Finanças ao Parlamento para se justificar.

O PSD quer chamar o ministro das Finanças ao Parlamento para se explicar a propósito da polémica dos offshores, considerando que a grande maioria das transferências omissas deveriam ter sido fiscalizadas pelo Governo do PS.

“Recebemos um documento oficial que confirma que 18 das 20 transferências só poderiam ser fiscalizadas pelo atual Governo” afirmou esta quarta-feira de manhã o deputado do PSD Leitão Amaro em declarações aos jornalistas no Parlamento, especificando que sete dessas transferências chegaram ao Fisco depois das legislativas e que quatro delas correspondem a declarações que só chegaram em 2016.

Com base nesses dados recolhidos, o PSD pretende agora chamar o ministro das Finanças a prestar declarações perante os deputados. “Depois das imprudentes declarações do primeiro-ministro, vamos chamar o ministro das Finanças“, disse Leitão Amado. Em causa estão os dez mil milhões de euros em transferências para offshores respeitantes ao período de 2012- 2014 que não foram fiscalizadas pelo Fisco.

O deputado social-democrata disse ainda que o PSD “não está e não vai tirar conclusões precipitadas” até à audição da Inspeção Geral das Finanças. “Não venho fazer insinuações sobre a causa ou a responsabilidade das transferências para offshores“, acrescentou ainda Leitão Amaro.

O PS reagiu prontamente à pretensão do PSD em chamar Mário Centeno ao Parlamento, bem como à tentativa de atribuir responsabilidades ao atual governo relativamente à fiscalização dos valores transferidos para os offshores que foram alvo de apagão. Em declarações aos jornalistas logo a seguir à declaração do PSD, o deputado Eurico Brilhante Dias afirmou que “há limites para a criação de factos alternativos que distorcem a realidade e a verdade”, considerando “não podemos aplicar na vida política portuguesa o velho adágio popular ‘com a verdade me enganas'”.

“Os 10 mil milhões de euros transferidos para offshores, foram transferidos durante o período de 2011 a 2014 integralmente, sublinho, integralmente, durante a vigência do 19º governo constitucional, o governo do PSD/CDS”, frisou Eurico Brilhante Dias. E especificou que três das declarações que dizem respeito a 2012, 2013 e 2014 totalizam 80% das transferências: a de 2012 que não foi escrutinada que foi entregue apenas em 2016, com pelo menos três anos de atraso.

“Se isto é um adequado escrutínio das transferências para offshores durante a vigência do governo PSD/CDS, nós obviamente discordamos. Querer atirar de forma pouco séria responsabilidades para o governo que hoje está em funções é uma manobra política que o partido socialista está a denunciar e que não se calará”, afirmou o deputado socialista. E acrescentou ainda que “querer confundir aquela que é uma integral responsabilidade do PSD/CDS, com responsabilidades do atual governo é querer misturar o que não é misturável”.

Eurico Brilhante Dias afirmou que as declarações têm de ser entregues até ao ano seguinte, explicando que as declarações de 2014 tinham de ser entregues até 31 de julho de 2015 e que se estas “não chegaram não foi por acaso de omissão e que o governo só tomou posse em novembro de 2015. “O PS não vai transigir deste aspeto”, acrescentou.

Já relativamente à intenção do PSD em chamar Mário Centeno a prestar esclarecimentos, o responsável do partido do governo diz que “o PS não tem por norma votar contra audições de membros do governo“.

(Notícia atualizada às 12h:49 com mais informação)

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