Offshores: Software da polémica é da Informatica

O software onde alegadamente houve um erro informático pertence a uma multinacional norte-americana. Empresa defende-se dizendo que ainda é cedo para saber se a culpa está no PowerCenter.

O programa informático no centro da polémica dos offshores chama-se PowerCenter e pertence à Informatica, uma multinacional norte-americana com sede na Irlanda especialista em gestão de dados. A notícia avançada pela SIC revela que o software em causa falhou, tal como tinha indicado Rocha Andrade, por não ter lido todas as linhas das declarações enviadas pelos bancos e, mesmo assim, ter dado o processo como bem-sucedido. Em causa estão dez mil milhões de euros transferidos para offshores que não foram inspecionados pela Autoridade Tributária e Aduaneira.

A anomalia aconteceu na transição dos dados do Portal das Finanças para o sistema central do fisco. Em causa está a ocultação de dados que, para além de ter causado uma disparidade de números nas estatísticas relativas ao período de 2011 a 2014, passaram ao lado da inspeção. Segundo uma fonte do fisco, citada pela SIC, mais de 90% dos dados que não chegaram a ser tratado referem-se a transferências do BES para o Panamá.

Alegadamente, o software não leu todas as linhas das declarações do modelo 38 enviadas pelos bancos nacionais com todos os detalhes sobre estas transferências. Apesar de o processo ficar incompleto na prática, o programa dava a transferências como terminada com sucesso. Em resposta à SIC, a empresa diz ainda ser cedo para saber se foi um erro do software em si ou dos utilizadores do fisco. A Informatica argumenta que o sistema mudou entretanto e existem várias versões.

A multinacional norte-americana afirma ainda que está a colaborar com as autoridades portuguesas na investigação da Inspeção Geral das Finanças. Em reação, o Ministério das Finanças realçam apenas que o assunto está sob investigação.

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