Sócrates: Ministério Público não tem “factos nem provas, só uma teoria”

  • Rita Atalaia
  • 13 Março 2017

No âmbito da Operação Marquês, José Sócrates garantiu aos jornalistas que o Ministério Público não tem "factos nem provas, só uma teoria". Por isso, não o espanta se houver novo adiamento.

O antigo primeiro-ministro já saiu ao Departamento Central de Investigação e Ação Central (DCIAP) onde foi ouvido pelo procurador. José Sócrates garantiu aos jornalistas que o Ministério Público não tem “factos nem provas, apenas uma teoria”. Isto depois de o ex-ministro ter dito à entrada que nunca recebeu dinheiro de ninguém.

“O Ministério Público não tem evidências, factos ou provas, só uma teoria”, disse José Sócrates à saída do DCIAP em declarações aos jornalistas transmitidas pela RTP 3. Isto no âmbito do processo Operação Marquês, que, relembra Sócrates, já dura há três anos e meio. “A obrigação do Ministério Público é trazer uma acusação que possa sustentar”, acrescentou o antigo ministro.

"Eu julguei que esta era a última oportunidade para o Ministério Público, finalmente, apresentar elementos de prova, elementos de facto, que pudessem sustentar as suas alegações”

José Sócrates

Ex-primeiro-ministro

“Eu julguei que esta era a última oportunidade para o Ministério Público, finalmente, apresentar elementos de prova, elementos de facto, que pudessem sustentar as suas alegações”, disse José Sócrates, ao fim de mais de seis horas de interrogatório. “Fiquei espantadíssimo porque o Ministério Público não foi capaz de apresentar nada, a não ser uma escutazinha aqui e outra ali”, acrescentou.

José Sócrates saiu do interrogatório sem uma acusação, porque o despacho final só pode ser proferido quando o Ministério Público tiver reunido todos os elementos. Isto a apenas cinco dias do final do prazo dado pela Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, para fechar a investigação. Segundo noticia o Expresso este sábado (link para assinantes), o ex-chefe de Governo socialista será acusado de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Mas o ex-primeiro-ministro não é o único a ser ouvido. Ao longo desta semana, há vários arguidos que vão ser confrontados por Rosário Teixeira com os factos novos que foram apurados. A ex-mulher de José Sócrates, Sofia Fava, será quarta-feira interrogada pelos procuradores do Ministério Público que investigam a ‘Operação Marquês’, disse à Lusa fonte ligada ao processo. No mesmo dia, Diogo Gaspar Ferreira, antigo presidente da empresa gestora do empreendimento Vale do Lobo, outro dos 25 arguidos do processo, será ouvido no DCIAP.

Esta semana, segundo notícias avançadas em vários órgãos de comunicação social, os procuradores deverão também interrogar o ex-administrador e vice-presidente do grupo Lena Joaquim Barroca.

Ordem dos Advogados critica demora do processo

O bastonário da Ordem dos Advogados criticou a demora da investigação, que teve início em 2014. Guilherme Figueiredo diz, segundo a agência Lusa, que o arrastar de processos cria problemas à credibilização da justiça.

“Há processos que têm uma morosidade superior àquela que deveriam ter e que têm um significado especial relativamente aquilo que são as perceções do cidadão. O cidadão tem apenas perceções da justiça, o que significa que, quando um processo que tem uma dimensão, que tem uma personalidade, que foi no caso primeiro-ministro, e o processo se arrasta durante imenso tempo, é evidente que isso cria problemas da própria credibilização do sistema”, disse aos jornalistas Guilherme Figueiredo, quando questionado sobre os mais de dois anos que dura a investigação da ‘Operação Marquês’.

“Deve-se ter um cuidado não no sentido da discriminação propriamente negativa ou positiva, mas no sentido de que isso tem consequências no sistema judiciário”, disse, sublinhando que “havendo uma prisão preventiva deve existir uma acusação com outra celeridade”.

(Notícia atualizada às 21h35 com mais informação)

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