CGD: Deputados suspendem trabalhos depois de ouvirem Vara

Os trabalho da comissão para analisar a gestão da CGD foram suspensos. Uma interrupção que vai durar até dia 4 de maio.

Os deputados decidiram suspender os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito (CPI) para perceber os problemas em torno da gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Uma interrupção das audições que vai durar até 4 de maio, mas que começa apenas depois de ser ouvido Armando Vara. Esta é a proposta do PS que foi aprovada na reunião de mesa e coordenadores, avançou o deputado socialista João Paulo Correia ao ECO.

Mais um revés na CPI à gestão do banco público. Numa reunião de mesa e coordenadores, foi decidida a suspensão dos trabalho na comissão sobre a gestão da CGD até dia 4 de maio. Foi também decidido pedir ao plenário o prolongamento de 30 dias a partir de 5 de maio para a conclusão dos trabalhos.

O deputado socialista João Paulo Correia explicou ao ECO que há dois motivos para este suspensão: “Dar tempo para a decisão do Supremo Tribunal de Justiça e para que o relator inicie uma versão preliminar das conclusões a apresentar no dia 5 de maio”. A CGD, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Banco de Portugal e agora Ministério das Finanças recorreram para o Supremo Tribunal de Justiça para que a lista dos maiores devedores do banco público não seja divulgada. Mas este recurso ainda tem de ser validado pela Relação de Lisboa para que possa avançar para a mais alta instância, o que ainda não aconteceu.

"Dar tempo para a decisão do Supremo Tribunal de Justiça e para que o relator inicie uma versão preliminar das conclusões a apresentar no dia 5 de maio.”

João Paulo Correia

Deputado do PS

Mário Centeno argumenta que divulgar o plano de capitalização da Caixa referente a 2012 será uma “quebra de confiança irreversível” e com consequências sistémicas de dimensão difícil de determinar”. O Banco de Portugal e a CMVM também recorreram para o Supremo Tribunal de Justiça da decisão do Tribunal da Relação de Lisboa. São dois pedidos de recurso, mas o objetivo é o mesmo: travar a divulgação da lista de grandes devedores da CGD pedida pelos deputados da CPI à recapitalização do banco liderado por Paulo Macedo.

Mas antes desta interrupção ainda será ouvido Armando Vara, de acordo com uma proposta do PS. A audição do antigo administrador da CGD era uma das que tinha sido pedida pelo CDS. Prevê-se que a audição seja agendada para a próxima semana e só depois os trabalhos serão suspensos. Ou seja, não haverá reuniões nem audições. Este tempo permitirá ao relator, o deputado socialista Carlos Pereira, dar andamento ao relatório final da comissão.

(Notícia atualizada às 15h32 com mais informação)

 

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

CGD: Deputados suspendem trabalhos depois de ouvirem Vara

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião