Grécia: Bancos já perderam 4.000 milhões de euros em depósitos devido à incerteza

  • Lusa
  • 18 Março 2017

Uma nova descida dos depósitos poderia obrigar as entidades gregas a recorrer em maior medida ao mecanismo de provisão de liquidez de emergência.

Os bancos gregos perderam 4.000 milhões de euros em depósitos desde o início do ano, devido ao adiamento do fim da segunda avaliação do resgate e à incerteza sobre a economia do país, conclui hoje o diário grego Kathimeriní.

Uma nova descida dos depósitos poderia obrigar as entidades gregas a recorrer em maior medida ao mecanismo de provisão de liquidez de emergência (ELA, Emergency Liquidity Assistance), cujo limite está agora em 46.200 milhões de euros até 22 de março.

A banca grega recebeu este crédito de emergência depois de em meados de fevereiro de 2015 o Banco Central Europeu (BCE) ter deixado de aceitar a dívida grega para garantir as operações de refinanciamento.

Desde que o BCE voltou a aceitar em finais de junho de 2016 a dívida grega como garantia, o limite do ELA desceu drasticamente porque os bancos voltaram a recorrer a este instrumento para adquirir liquidez.

O ELA foi até àquele momento o único canal pelo qual os bancos podiam aceder ao financiamento de curto prazo através do Banco da Grécia, ainda que a uma taxa de juro superior à pedida pelo BCE nas operações de refinanciamento.

Durante a segunda metade de 2016 os depósitos bancários nas entidades gregas, tanto privadas como das administrações públicas, cresceram devido à sensação generalizada de que a segunda avaliação do resgate ficaria fechada em finais do ano passado ou em princípios de 2017.

Mas, a dificuldade com que estão a avançar as negociações entre a Grécia e os credores fez crescer a incerteza.

Fontes do Ministério das Finanças grego indicaram depois da última conferência telefónica com os credores, na sexta-feira, que as diferenças entre a Grécia e os credores em temas fundamentais como a reforma do mercado laboral se mantêm e insistiram que este último precisa de “um debate político”, que apontaram para o Eurogrupo de segunda-feira.

Contudo, as mesmas fontes congratularam-se por terem já chegado a acordos com os credores em assuntos como os das privatizações ou o da solução extrajudicial das dívidas morosas privadas com os bancos.

Também há divergências entre as partes, segundo o ministério, em relação à liberalização do mercado de energia.

As possibilidades de que a Grécia e os credores alcancem um acordo que permita fechar a segunda avaliação do programa de resgate até ao Eurogrupo de segunda-feira são remotas e o Governo grego aponta agora para uma nova meta em 07 de abril.

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