Bernardo Trindade lidera estrutura de missão para captar investimento pós-Brexit

O antigo secretário de Estado e os empresários Chitra Stern e Gonçalo Lobo Xavier são os escolhidos para tentar captar investimentos para Portugal depois do Reino Unidos sair da União Europeia.

O antigo secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, vai ser o novo presidente da estrutura de missão que quer atrair investimentos para Portugal, aproveitando a saída do Reino Unido do projeto europeu.

A Portugal in, estrutura temporária que foi aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros, vai ainda contar com Chitra Stern, a empresária que detém o Grupo Martinhal, e Gonçalo Lobo Xavier, vice-presidente do Comité Económico e Social Europeu e membro da Associação dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos e Afins de Portugal.

Esta estrutura, que está sob a dependência do primeiro-ministro, é temporária. Os responsáveis escolhidos para a comissão executiva, que trabalham em regime pro bono, têm um mandato definido até 31 de dezembro de 2019. A forma de funcionamento desta estrutura será bastante idêntica à estrutura de missão criada para a capitalização de empresas e liderada por José António Barros, antigo dirigente da AEP.

O objetivo, como especifica o comunicado do Conselho de Ministros, é “atrair para Portugal investimentos que pretendam permanecer na União Europeia após a saída do Reino Unido”. Investimentos que são considerados “essenciais para reforçar a competitividade da economia nacional”.

E como atrair estes investimentos? “Através dos fatores de diferenciação e complementaridade que Portugal oferece, nomeadamente ao nível do recursos humanos e da posição geoeconómica do país pretende-se dinamizar capacidade empresarial nacional e a criação de emprego”, explica o comunicado.

Aproveitar oportunidades

A estrutura de missão ainda não teve nenhuma reunião formal, mas o ECO tentou saber junto dos responsáveis desta estrutura como Portugal pode convencer os investidores a apostar no país.

Bernardo Trindade não quis avançar detalhes sobre qual será a estratégia da estrutura de missão. “Ainda é prematuro”, disse ao ECO, acrescentando que “o importante é começar a trabalhar”.

Já Gonçalo Lobo Xavier, falando apenas pela sua experiência e remetendo quaisquer esclarecimentos sobre o Portugal In para Bernardo Trindade, defende que uma das formas como as empresas portuguesas podem beneficiar deste novo cenário é “através de uma eventual participação em consórcios para infraestruturas”, já que “há uma série de investimento previstos para o Reino Unido e Irlanda nas áreas da ferrovia, aeroportos e estradas”.

O responsável da AIMMAP — um setor que exportou 14,7 mil milhões de euros o ano passado e que teve o Reino Unido como o quarto maior mercado de exportação com um crescimento de 20% — defendeu que o Estado português, “deve acompanhar, desde a primeira hora, na linha da frente as negociações de saída” do Reino Unido, uma posição “determinante para depois poder fazer acordos com todos os países”. “Há também oportunidades para fomentar negócios par as empresas portuguesas”, acrescenta. Mas lembra “este é um processo novo e muito longo no qual ainda falta saber quais serão as linhas de negociação”.

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