Juros descem pela quinta sessão, taxa a 10 anos abaixo de 4%

Portugal lidera a queda dos juros na Europa, num contexto mais positivo acerca da perceção de risco do país. Desaceleração da inflação na Alemanha também ajuda.

Os investidores continuam a dar tréguas a Portugal. Depois da taxa de juro associada às obrigações a dez anos ter atingido máximos desde a troika há duas semanas, desliza esta quinta-feira pela quinta sessão consecutiva, o ciclo mais prolongado de quedas desde o início do ano.

A yield implícita nas obrigações a dez anos chegou a cair mais de seis pontos base esta manhã para 3,942%, o valor mais baixo desde o dia 9 de março. Está a corrigir em baixa há cinco sessões seguidas, o que representa o período mais largo de dias em queda desde meados de janeiro. As quedas estendem-se a todas as maturidades, com a taxa a cinco anos a cair três pontos base para 2,269%.

Com estes desempenhos, Portugal lidera neste momento as quedas dos juros na Europa, num contexto mais favorável à perceção de risco do país capturado pelos investidores, sobretudo depois de o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) ter anunciado na passada sexta-feira que o défice público ficou nos 2,1% do PIB em 2016, deixando a porta aberta a que Portugal abandone o Procedimento por Défice Excessivo que tinha sido aberto ao país em 2009.

Além disso, o Banco de Portugal reviu esta quarta-feira em alta as projeções para a economia portuguesa. O banco central estima que o PIB vai acelerar para 1,8% este ano, depois de ter aumentado 1,4% em 2016. Já em 2018 e 2019 o crescimento vai continuar, mas a um ritmo que se espera mais baixo.

Juros em queda acentuada

Fonte: Bloomberg (valores em %)

Além disso, os juros corrigem do impacto da mudança de linhas das obrigações do Tesouro que servem de referência para as diferentes maturidades da dívida de Portugal, uma operação ocorrida a 16 de março, e que atirou o juro da dívida a dez anos para os 4,3%.

No plano internacional, também Alemanha (referência para os investidores compararem o risco com Portugal), França e Itália viam os seus juros recuar, o que acontece depois de sinais de que a taxa de inflação germânica terá desacelerado em março.

Uma inflação mais elevada retira margem de ganhos nos ativos como as obrigações, pelo que uma desaceleração dos preços potencia um cenário de queda dos juros.

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