Moody’s: Troca de dívida baixa rating do Novo Banco

Agência Moody's baixou o rating das obrigações seniores do Novo Banco perante risco de perdas para os credores na proposta de troca voluntária anunciada pelo Banco de Portugal para fechar venda.

A agência Moody’s baixou ainda mais o rating das obrigações seniores do Novo Banco para um nível de quase incumprimento, depois de o Banco de Portugal ter anunciado na sexta-feira uma proposta de troca voluntária destes títulos de dívida por outros títulos no sentido de reforçar o capital do banco em 500 milhões de euros.

Para a agência de notação financeira, que classifica as obrigações seniores do Novo Banco em Caa2, com elevado risco de crédito, esta oferta de troca é “problemática” perante a ameaça de perdas que a operação de troca de dívida representa para os investidores.

“O downgrade do rating da dívida sénior sob revisão de mais agravamentos reflete a expectativa de perdas que os obrigacionistas seniores do Novo Banco deverão enfrentar como parte” da troca de obrigações que o Banco de Portugal anunciou na sexta-feira para fechar a venda da instituição ao fundo Lone Star, justifica a Moody’s no comunicado divulgado esta quarta-feira. “A agência de rating considera esta oferta como uma troca problemática que será realizada como forma de evitar a liquidação do Novo Banco e conclusão do processo de venda”, acrescenta.

"O downgrade do rating da dívida sénior sob revisão de mais agravamentos reflete a expectativa de perdas que os obrigacionistas seniores do Novo Banco deverão enfrentar como parte da troca de obrigações.”

Moody's

Comunicado

A taxa das obrigações seniores do Novo Banco dispara esta quarta-feira no mercado secundário para os 14,8%, face à taxa de 9,3% registada no início da semana, num sinal de maior desconfiança dos investidores em relação àquilo que foi anunciado no final da semana passada.

Uma das condições para o Lone Star injetar mil milhões de euros no Novo Banco passa pela troca “voluntária” de obrigações seniores por outros títulos de dívida que permitam ao banco reforçar a sua posição de capital em 500 milhões de euros.

Na conferência de anúncio de venda do Novo Banco, o governador Carlos Costa sublinhou que “a solução desenhada não envolve uma ação não voluntária” e “não afetará o capital” dos obrigacionistas. No entanto, caso não haja investidores que aceitem trocar os títulos, o negócio com o Lone Star será inviabilizado. A alternativa será a nacionalização com perdas para todos os investidores.

Por causa da indefinição em torno desta troca, a Moody’s prevê mais reduções da notação de risco das obrigações seniores do Novo Banco. Durante a revisão do rating da dívida do Novo Banco, a agência vai estar sobretudo atenta aos termos e condições com que a troca de obrigações seniores será efetuada, à profundidade e funcionamento do mecanismo de contingência de capital fornecida como “garantia” pelo Fundo de Resolução, às últimas contas financeiras apresentadas pelo Novo Banco, ao plano de reestruturação do novo acionista Lone Star e também ao calendário de fecho de venda da instituição, incluindo aprovações do Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia.

(Notícia atualizada às 16h15)

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