Bancos perdem 17 em cada 100 euros do crédito

O crédito em incumprimento recuou, mas muito ligeiramente. O rácio estava em 17,2% no final do ano. As imparidades reconhecidas levaram a rentabilidade a afundar, passando para terreno negativo.

Em cada 100 euros concedidos em crédito, a banca tem 17,20 euros que estão a ficar por cobrar. O crédito em risco encolheu ligeiramente no final do ano passado, mas continua a ser um fardo para o setor financeiro. Continua a forçar os bancos a reconhecerem elevadas perdas nas contas, tendo atirado a rendibilidade das instituições financeiras nacionais para terreno negativo em 2016.

“O rácio de empréstimos non-performing situou-se em 17,2%, tendo apresentado uma redução de 0,4 pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre anterior”, revela o relatório sobre o sistema bancário português do Banco de Portugal. “O rácio de crédito em risco situou-se em 11,8% no quarto trimestre de 2016, reduzindo-se 0,8 p.p. face ao trimestre anterior”.

Ao mesmo tempo que o malparado se mantém elevado, os bancos estão a tentar precaver-se perante as perdas potenciais. Daí que, refere o mesmo relatório, o “rácio de cobertura de empréstimos non-performing tenha registado um aumento face ao trimestre anterior situando-se em 45,0%. Numa comparação com o final do ano anterior este rácio aumentou cerca de 4 p.p.”, conclui.

Rendibilidade em queda

“A rendibilidade dos capitais próprios e do ativo foi negativa em 2016, tendo diminuído face ao ano anterior”, diz o Banco de Portugal, salientando que “no quarto trimestre de 2016 verificou-se um reforço significativo das imparidades para crédito, o que determinou que a rendibilidade, positiva até ao final do terceiro trimestre, atingisse valores negativos no conjunto do ano”.

“A diminuição da rendibilidade face a 2015 foi determinada por uma queda expressiva dos resultados com operações financeiras, de natureza não recorrente, e, sobretudo, pelo aumento das imparidades”, diz o supervisor do setor financeiro. Esta quebra na rendibilidade aconteceu num período em que a “margem financeira permaneceu virtualmente inalterada face a 2015, em resultado de uma diminuição similar dos juros recebidos e dos encargos com juros”.

Rácios em queda

Com as imparidades em alta, a rendibilidade em queda, os rácios de capitais caíram. “O rácio entre o capital Tier 1 e o ativo diminuiu no quarto trimestre de 2016, refletindo uma redução do capital, associada aos resultados negativos do exercício, num cenário de redução do ativo”, nota o Banco de Portugal.

A diminuição da rendibilidade face a 2015 foi determinada por uma queda expressiva dos resultados com operações financeiras, de natureza não recorrente, e, sobretudo, pelo aumento das imparidades.

Banco de Portugal

“O rácio Common Equity Tier 1 (CET 1) e o rácio de solvabilidade total diminuíram cerca de um ponto percentual face ao terceiro trimestre de 2016 devido à redução do capital, o que é explicado, uma vez mais, pelos resultados negativos do exercício”, diz. “Registe-se, contudo, que já no decurso do corrente ano ocorreram operações de reforço dos fundos próprios em algumas instituições”, conclui.

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