Dijsselbloem pode demitir-se. Mas não por causa de Mourinho Félix

Dijsselbloem confirmou que Mourinho Félix não pediu a sua demissão na sexta-feira passada. Porém, o atual presidente do Eurogrupo admite sair se houver um novo Governo holandês a curto prazo.

O ainda ministro das Finanças holandês deu uma entrevista esta segunda-feira ao jornal holandês De Volkskrant onde aborda a polémica das suas declarações sobre os países do Sul. Jeroen Dijsselbloem admite que “esperava que ele [secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix] pedisse a minha demissão, mas não o fez”. O que, na sua opinião, mostra que, na realidade, Portugal não o queria demitir. A exigência da demissão foi feita antes e depois do último Eurogrupo, na passada sexta-feira, mas não houve menção a esse assunto na reunião.

O presidente do Eurogrupo considera que esses pedidos de demissão fora da reunião dos ministro das Finanças não têm nenhum significado. Tudo se passou na sexta-feira, na última reunião que antecipa o ECOFIN (reunião formal que junta os ministros das Finanças da União Europeia), em que Mário Centeno se fez substituir pelo seu secretário de Estado das Finanças por questões de agenda. Mourinho Félix confrontou Dijsselbloem pessoalmente, entre um aperto de mão, mas não o terá repetido na reunião. O presidente do Eurogrupo respondeu-lhe dizendo que “a reação de Portugal também foi chocante”.

Entretanto, Dijsselbloem já recebeu o apoio, por exemplo, de Schäuble, o ministro das Finanças alemão. O holandês diz na mesma entrevista que no Eurogrupo houve um certo apoio e compreensão do que realmente quereria dizer. Ainda assim, o presidente do Eurogrupo revela também que fez um pedido de desculpas a quem se sentiu ofendido, admitindo que a escolha de palavras não foi a mais acertada, tal como já tinha dito. Tal como Mourinho Félix, também o ministro das Finanças espanhol não terá pedido a demissão, segundo Dijsselbloem.

Confrontado pelo jornal com a acusação de António Costa — o primeiro-ministro classificou-o de “sexista, xenófobo e racista” –, o presidente do Eurogrupo lamentou o ruído à volta da questão. Na mesma entrevista, o presidente do Eurogrupo reforçou a ideia que queria transmitir de direitos e deveres, tal como tinha feito na resposta dirigida aos eurodeputados que pediram a sua demissão: “Como um social-democrata, acho a solidariedade extremamente importante. Mas quem pede ajuda, também tem deveres. Não posso gastar o meu dinheiro em bebidas e em mulheres e, em seguida, pedir apoio. Este princípio aplica-se a nível europeu, regional e nacional”.

Contudo, a realidade pode fazer com que o atual ministro das Finanças da Holanda deixe de presidir o Eurogrupo. Nas eleições holandesas o seu partido teve uma dura derrota, tendo sido ultrapassado por vários partidos, pelo que o mais provável é que não faça parte da futura coligação de Governo, tal como acontecia até agora. Dijsselbloem admite que “se houver um novo Governo na Holanda no curto prazo, então o Eurogrupo deve procurar rapidamente por um novo presidente”. “Caso contrário, deverei ter a oportunidade de terminar o meu mandato”, diz, referindo que os processos de substituição têm sido difíceis. Dijsselbloem admite ver bons candidatos para o seu lugar, mas não referiu quem.

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