Costa: “Se De Guindos estiver disponível, tem o nosso apoio”

  • Juliana Nogueira Santos
  • 11 Abril 2017

O primeiro-ministro português voltou a repetir as acusações ao presidente do Eurogrupo. E afirmou que apoiará Luis De Guindos se este quiser substituir o holandês.

António Costa voltou a tecer comentários sobre o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e as suas declarações sobre os países de sul, afirmando que “é uma questão de tempo” até que este abandone o cargo. Em entrevista ao jornal espanhol El País Costa atestou a necessidade de “reforçar o euro e a política monetária comum” e apontou o nome de Luis de Guindos, ministro da economia espanhol, como um bom substituto.

“Tem a visão global da Europa, a capacidade de fazer ponto entre diferentes economias, entre diferentes famílias políticas, vem de um grande país, mas compreende os pequenos, vem da terceira economia com maior crescimento, mas conhece os sacrifícios passados… Se De Guindos estiver disponível, terá o nosso apoio“, explicou o primeiro-ministro português.

Costa falou também sobre o Brexit e a resposta dos países do sul, afirmando que é importante que se mantenha com o Reino Unido “a melhor relação”, mas aproveitando a oportunidade para anunciar que Portugal está disponível para acolher as empresas que queiram continuar na União Europeia.

O modelo governativo português foi, como é habitual, um assunto trazido para a discussão, com António Costa a justificar que a solução que junta PS, Bloco de Esquerda e PCP só é possível porque “o conjunto de partidos de esquerda compreenderam que podiam manter a sua identidade bem diferenciada.” “A ideia não que é PS se converta num partido de esquerda radical, nem o PC em socialista. O êxito está dependente de que cada um siga com a sua própria identidade”, acrescentou o primeiro-ministro.

Questionado se uma solução como esta poderia ser adotada em Espanha, Costa disse que “não se atrevia” a passar a receita, pois “cada país é distinto”.

A conversa passou também pela parceria luso-brasileira, com Costa a confirmar que os dois países mantêm boas relações, como sempre mantiveram. A destituição de Dilma Rousseff não foi um ponto de rutura, visto que “eles [governo brasileiro] respeitam as mudanças de governo em Portugal e nós respeitamos as suas mudanças de governo.”

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