Novo Banco perde 788 milhões de euros

O banco liderado por António Ramalho fechou o ano passado com prejuízos de 788,3 milhões de euros. O valor aumentou face aos primeiros nove meses, mas é inferior ao registado em 2015.

O Novo Banco registou prejuízos de 788,3 milhões de euros no último ano. O valor registado representou um agravamento das contas face aos primeiros nove meses, sendo um resultado menos negativo do que o de 2015. O banco liderado por António Ramalho explica as contas negativas com as provisões para o malparado.

Novo Banco registou prejuízos de 359 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. No final do ano, o valor aumentou para 788,3 milhões, “o qual compara favoravelmente com o prejuízo de 929,5 milhões de euros em 2015“, diz o banco em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Perante estes prejuízos, o rácio de capital Common Equity Tier 1 (CET1) caiu de 12% para 13,5%.

Este resultado negativo traduz o “elevado esforço de provisionamento”. “O montante afeto a provisões, no valor de 1.374,7 milhões de euros representa um acréscimo de 316,8 milhões de euros em relação ao ano anterior. As imparidades incluem 672,6 milhões para crédito, 315,9 milhões para títulos e 98,2 milhões para custos de reestruturação”, diz a instituição.

Apesar do resultado negativo em termos líquidos, em termos operacionais houve uma clara melhoria. O banco salienta “o esforço de consolidação operacional prosseguido durante o exercício de 2016, tendo o resultado operacional atingido 386,6 milhões (+209% do valor registado no período homólogo do ano anterior que ascendeu a 125 milhões) determinado pela melhoria do produto bancário e pela redução dos custos operativos”.

“O produto bancário situou-se em 977,5 (+11,1% face a 2015) para o qual contribuiu o comportamento do resultado financeiro (+14,2%) e dos resultados de operações financeiras (+25,2%). Os custos operativos situaram-se em 590,9 milhões, evidenciando uma redução de 163,8 milhões (-21,7%) face ao período homólogo do ano anterior. O comportamento dos custos operativos permitiu a melhoria expressiva do rácio de eficiência, com o cost to income a evoluir para 60,4% que compara favoravelmente com 85,8% em dezembro de 2015.

Side bank encolhe, antes de desaparecer

“No que se refere ao side bank, ou seja, os ativos não estratégicos do Grupo Novo Banco, o seu valor era de 8.737 milhões de euros, líquido de provisões, em 31 de dezembro de 2016“, diz o Novo Banco. Este montante compara positivamente com os 10.843 milhões de euros a 31 de dezembro de 2015.

Inicialmente, a referência era de 9,7 mil milhões de euros, o valor do chamado side bank, apurado no final de setembro de 2016. Mas este side bank já não existe. Por um lado, houve ativos que eram considerados tóxicos e que deixaram de o ser, como a operação em Espanha. Por outro, há novos ativos que estão no balanço do Novo Banco e que passaram a ser considerados tóxicos. Quem escolheu os ativos que são agora considerados “perigosos” foi o Lone Star.

Reestruturação cumprida

O Novo Banco sublinha que os “objetivos fixados no plano de reestruturação foram integralmente cumpridos. Assim, e relativamente a novembro de 2015 (data de referência para efeitos dos compromissos assumidos com a DG Comp no âmbito do plano de reestruturação), o número de colaboradores reduziu-se em 1.312 (incluindo as atividades em descontinuação), face ao objetivo estabelecido de redução de 1.000 a 31 de dezembro de 2016″.

“A rede de distribuição evoluiu para 537 balcões (objetivo: 550 a 31 de dezembro de 2016) apresentando uma redução de 116 unidades. A redução dos custos operativos ultrapassou a meta estabelecida (-150 milhões a 31 de dezembro de 2016)”, conclui o banco liderado por António Ramalho cuja venda está acordada com o Lone Star.

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