Os portugueses que podem ir para a bolsa

João Pereira, Ana Silva, João Félix e Diogo Anjos foram sondados pela Euronext para, um dia, entrarem em bolsa. Estas são as suas histórias.

Quatro portugueses fazem as malas com destino a Bruxelas. Um criou um detetor de ADN, uma está à frente de uma empresa de marketing digital, outro fundou uma plataforma de partilha e aluguer de carros e outro lidera uma biofarmacêutica que desenvolve tratamentos médicos personalizados. O que têm em comum? Foram todos sondados pela Euronext para, um dia, entrarem em bolsa.

Falamos de João Pereira, fundador da Magnomics, Ana Silva, diretora financeira da Impacting Group, João Félix, CEO da Mobiag, e Diogo Anjos, fundador da Lymphact. Encontrámo-los na segunda edição do TechShare, o programa desenvolvido pela dona da bolsa portuguesa para atrair pequenas e médias empresas (PME) da área tecnológica.

Estes são os portugueses que podem, um dia, levar as suas empresas para a bolsa.

João Pereira, Magnomics

João Pereira, CEO da Magnomics.D.R.

João Pereira fundou a Magnomics em 2013. O objetivo era criar um detetor portátil de ADN e, desde então, já recebeu investimento de três fundos: a Portugal Ventures, a Busy Angels e a Beta Capital. Hoje, o produto está em fase de desenvolvimento, a Magnomics emprega oito pessoas e está em contacto com outras empresas para possíveis parcerias.

No meio do pequeno mundo do empreendedorismo português, João Pereira encontrou Pedro Wilton, o responsável pela área de listings da Euronext Lisboa, que o desafiou a participar no TechShare. “Francamente, nunca tinha pensado em ir para a bolsa, e foi isso que foi interessante”, conta ao ECO.

Se o fizesse, a bolsa de Lisboa seria “a que faria mais sentido”, mas “só daqui a alguns anos”.

Os próximos passos? Começar uma parceria até ao início do próximo ano para conseguir entrar no mercado com “um produto mínimo”.

Ana Silva, Impacting Group

Ana Silva, diretora financeira da Impacting Group.D.R.

Ana Silva é a diretora financeira da empresa que está no estado de maturidade mais avançado entre as portuguesas que participaram no TechShare. Fundada em 2007, a Impacting Group agrega um conjunto de empresas da área do marketing digital, incluindo a Adclick. Desde que nasceu, já captou 1,5 milhões de euros de investimento. Hoje, está pronta para a “evolução natural”.

“Começámos com os venture capitalists, os parceiros que nos permitiram alavancar o negócio na fase inicial, e percebemos que, para uma empresa continuar a crescer e a dar frutos, precisa de continuar a investir e a ter mais financiamento”, conta Ana Silva. Esse financiamento virá da bolsa.

A empresa “ainda tem de crescer” e a equipa está a preparar-se, mas o objetivo é estar cotada em 2022. Mas não na bolsa portuguesa. “Seria muito mais indicado na bolsa francesa. Temos uma grande parte do nosso mercado em França”, explica a diretora financeira do grupo.

João Félix, Mobiag

João Félix, fundador e CEO da Mobiag.André Kosters / Lusa

João Félix trabalhava em Londres, no Goldman Sachs, quando teve a ideia. “Porque é que tenho de ser membro de várias organizações para poder usar o mesmo serviço”? Em 2011, tinha reunidas as condições para começar a montar a Mobiag, a plataforma que agrega serviços de partilha e aluguer de carros e que, hoje, já tem presença em 15 países, com mais de 20 clientes por todo o mundo.

Com cerca de 1,5 milhões de investimento levantado em várias rondas, João Félix está agora à procura da próxima fase da expansão. “Queremos fazer uma série A com venture capitalists profissionais, provavelmente na Alemanha ou no Reino Unido. Todas as alternativas estão em cima da mesa, desde uma parceria com um grupo grande até continuar o percurso normal de uma startup, ou seja, continuar a crescer e continuar a levantar capital para alimentar esse crescimento”, detalha.

Ou uma terceira hipótese. “Eventualmente, nunca daqui a menos do que seis anos, entrar em bolsa”, admite. As vantagens seriam “as mesmas que há para todos”: “mais dinheiro, mais rápido e com melhores condições”.

A acontecer, a Europa é o limite. “Nunca estamos fechados na bolsa portuguesa, temos França, Bélgica, Holanda. Também poderia fazer sentido o Reino Unido ou a Alemanha, mas temos de contar com o Brexit e com o facto de que a praça de Frankfurt não é muito virada para tecnologia”.

Diogo Anjos, Lymphact

Diogo Anjos juntou-se a Daniel Correia em 2013, quando este descobriu uma terapia para a leucemia linfática crónica, uma doença rara que afeta duas mil pessoas na Europa e que ainda não tem cura.

Começaram por desenvolver o medicamento para esta doença no Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo (PCTA) e, hoje, já com a patente registada e com investimento da Portugal Ventures, esperam obter aprovação para comercializar o medicamento em 2020.

Para já, a Lymphact procura investimento para fazer os testes necessários e obter a aprovação para o medicamento, inovador por não atacar células saudáveis, o que faz com que tenha menos efeitos secundários.

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