EDP Renováveis: Preço oferecido pela EDP “é adequado”

A empresa de energias limpas considera os 6,80 euros por ação que a EDP ofereceu adequados, para já. Mas admite que, a longo prazo, este preço pode não refletir o valor da EDP Renováveis.

A Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela EDP sobre a sua subsidiária de energias limpas “é amigável” e o preço oferecido “é adequado”, ainda que não reflita o potencial de valorização da empresa a longo prazo. É a própria EDP Renováveis, o alvo da oferta, quem o diz, num relatório enviado esta quarta-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

“O conselho de administração entende que a oferta, não obstante não ter sido solicitada, é amigável, na medida em que é realizada pela acionista fundadora da EDP Renováveis, que sempre foi titular de uma posição de controlo maioritário no seu capital e, nessa qualidade de acionista de referência, tem prestado um apoio permanente e de relevo inquestionável à estratégia de crescimento e afirmação da EDP Renováveis”, refere o conselho de administração da empresa, no relatório que contou com a assessoria do Deutsche Bank no que respeita aos aspetos financeiros da OPA.

Quanto ao preço oferecido pela casa mãe, de 6,80 euros por ação, a EDP Renováveis admite que este pode “não refletir integralmente o valor potencial da empresa no longo prazo”. A EDP Renováveis responde, desta forma, ao MFS Investments, o acionista da empresa que, esta semana, considerou o preço de 6,80 euros por ação demasiado baixo, uma vez que não reflete a capacidade de crescimento no longo prazo.

Isso mesmo nota a EDP Renováveis. O setor de energias renováveis “denota sólidos fundamentais, nos quais se verifica uma procura crescente de energia juntamente com a necessidade de implementação de uma economia baixa em carbono, impulsionada, em algumas das geografias, por objetivos governamentais”, refere a empresa.

Contudo, e ainda que reconheça “o potencial de crescimento do setor no longo prazo, assim como o posicionamento de liderança da EDP Renováveis no mesmo”, a empresa admite também que “o setor de energias renováveis tem assistido inequivocamente a uma crescente concorrência de mercado, facto que o conselho de administração destaca como um dos principais desafios e incertezas para o futuro”.

Por isso mesmo, e considerando apenas o presente, o preço encontra-se “num intervalo de valorização da sociedade que se considera adequado”, diz a empresa. E é “adequado” por vários motivos. Primeiro, a tal “crescente concorrência no setor”. Por outro lado, “os riscos potenciais decorrentes do entorno macroeconómico, jurídico e fiscal nas diferentes geografias em que a EDP Renováveis opera” e “as métricas obtidas no mercado de capitais”.

A EDP Renováveis salienta ainda que a oferta representa um prémio de 9,7% relativamente à cotação de fecho da ação no dia anterior ao dia do anúncio preliminar e um prémio de 10,5% face à cotação média ponderada dos seis meses anteriores.

Por fim, “a contrapartida da oferta não considera um prémio de controlo”, uma vez que a EDP já tem o controlo da Renováveis. Além disso, o Deutsche Bank, UBS e Mediobanca analisaram a oferta e também considerar a oferta “justa do ponto de vista financeiro”.

Acionistas devem preparar-se para sair da bolsa

No relatório publicado esta tarde, a EDP Renováveis aproveita para dizer aos acionistas que se preparem para a probabilidade de saírem da bolsa.

“Os acionistas deverão ter em consideração possíveis implicações para a liquidez das ações objeto da oferta subsequentemente à oferta, designadamente em virtude da possibilidade, expressamente admitida pela oferente, de promover a exclusão de negociação das ações objeto da oferta no mercado regulamentado Euronext Lisbon“, refere a empresa.

Administradores votam a favor da OPA

Os administradores da EDP Renováveis que detêm ações da empresa, e que são independentes da casa mãe, deram indicação de que vão votar a favor da OPA lançada pela casa mãe.

A indicação dada por cada um destes administradores ainda está sujeita “a alteração caso ocorra alguma modificação do atual quadro de circunstâncias ou sejam alterados os termos da oferta”, mas, para já, todos dão nota de “aceitação” da oferta.

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