A Euribor vai mudar. Cinco respostas sobre a nova taxa

  • ECO
  • 4 Maio 2017

Hoje deverá ser divulgado o novo método de cálculo da Euribor, a taxa de juro que está associada à grande maioria dos contratos de crédito dos portugueses. Saiba como poderá ser a nova Euribor+.

Tem crédito à habitação ou fez um crédito pessoal? Esteja atento, porque a forma de cálculo dos juros dos seus empréstimos está prestes a mudar. Esta quinta-feira, será divulgado o novo método de cálculo da Euribor, a taxa de juro que rege os empréstimos entre os bancos da Zona Euro e que se repercute na generalidade dos consumidores através dos empréstimos que estes celebram junto da banca. Às 17 horas de Lisboa, o European Money Markets Institute (EMMI), a autoridade europeia que fixa diariamente o valor deste indexante nos diferentes prazos, irá apresentar o resultado dos testes que fez ao novo método de cálculo daquela que é conhecida como a “Euribor+”.

Os bancos antecipam que a nova fórmula de cálculo da Euribor poderá resultar em indexantes mais baixos, mas também mais voláteis. A intenção é que a Euribor deixe de ser determinada com base num sistema de cotações, para passar a sê-lo a partir de um sistema suportado por transações, com o objetivo de tornar a fixação de taxas mais confiáveis e menos suscetíveis a manipulações. Conheça em cinco respostas, as principais razões para uma mudança na Euribor e as principais implicações que daí podem resultar, segundo uma análise da Bloomberg.

Porquê mudar a forma de cálculo?

A Euribor é definida com base na média das taxas que um painel de bancos europeus oferecem para emprestar dinheiro entre si. O escândalo da Libor em 2012, em que foi descoberto que havia bancos que manipulavam essas taxas de forma a fazer subir os seus lucros, bem como o ambiente de fraca liquidez que se seguiu à crise financeira, minaram alguma da confiança relativamente à fixação da taxa. Essa suspeição acabou por forçar o EMMI a procurar reformar a metodologia da cálculo das Euribor.

Porque é tão importante mudar?

A Euribor tem uma representatividade muito grande na concessão de crédito a nível europeu. Segundo os cálculos do EMMI, em 2016, a Euribor estava associada a contratos de ativos financeiros avaliados em mais de 180 biliões de euros. Em Portugal, a Euribor está presente no grosso dos contratos de crédito à habitação.

O que está a ser proposto?

Atualmente, a Euribor é calculada fazendo a média das taxas que estão a ser oferecidos pelo painel de bancos. Ou seja, não é determinada, necessariamente, a partir de transações reais. Esta realidade torna mais suscetível a possibilidade de ocorrerem falsos reportes de informação. No chapéu do sistema “Euribor +”, as taxas passarão a a ser fixadas com base nas contratações de empréstimos efetivadas pelo banco membro do painel.

Ao longo de seis meses, o EMMI recolheu dados de 31 bancos em 12 países para ver como a nova metodologia irá afetar os níveis da taxa e a respetiva volatilidade. O EMMI anuncia esta quinta-feira, o resultado dessa avaliação, antes de em assembleia geral decidir se vota favoravelmente, ou não, a nova metodologia de cálculo.

É provável que a nova metodologia seja adotada?

É possível que as novas propostas avancem, mas o próprio EMMI reconheceu que “é inevitável que ocorram algumas mudanças tanto no grau como nas características de volatilidade da Euribor”.

De acordo com Giuseppe Maraffino, estratega de taxa fixa do Barclays, a instituição pode adiar o lançamento da nova Euribor devido aos elevados spreads entre a nova e a antiga Euribor, bem como a subida da volatilidade, ou qualquer vulnerabilidade técnica na infraestrutura de implementação. Já Adam Kurpiel, estratega de taxa fixa do Société Générale, afirmou numa nota citada pela Bloomberg que o mercado pode não ser líquido o suficiente, sendo necessário ao EMMI “trabalhar numa diferente evolução da metodologia baseada em transações”.

Caso a metodologia passe em assembleia geral, o consenso dos analistas é de que as mudanças irão fazer baixar o valor de fixação da Euribor aquém da taxa de depósito, o que significa que “existirá o risco de a Euribor poder gradualmente cair não só abaixo da taxa OIS, mas também aquém da taxa depo”, acrescentou Maraffino numa nota enviada a clientes do Barclays.

Como se preparam os mercados para o anúncio?

Nas últimas semanas, os movimentos dos futuros da Euribor foram dominados pelas expectativas face ao rumo das taxas de juro do Banco Central Europeu. Já nesta semana, contudo, os futuros da Euribor subiram, sinalizando uma descida da fixação da Euribor no seguimento da reforma proposta para a taxa. A antecipação também refletiu-se no spread entre a Euribor e as taxas overnight do mercado monetário, que encolheram entre os contratos entre o final de 2017 e de 2018.

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