Petróleo toca no valor mais baixo desde o corte da OPEP

A cotação do petróleo cai em torno de 2%. O barril de crude já vale menos de 45 dólares, o patamar mais baixo desde novembro do ano passado.

O petróleo conhece mais um dia de forte perdas nos mercados internacionais. O preço do barril recua em torno de 2%, com o crude norte-americano a recuar abaixo da fasquia dos 45 dólares, o que acontece pela primeira vez desde o acordo da OPEP, em novembro do ano passado. A culpa é da aceleração da produção da matéria-prima nos EUA.

A barril do crude recua 1,8%, para negociar nos 44,7 dólares. Trata-se da fasquia mais baixa desde 15 de novembro do ano passado, a escassos dias de os países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) terem acordado em colocar um travão na produção de petróleo. Já a referência europeia, o Brent transacionado em Londres perde 1,55%, para os 47,63 dólares, o que representa o patamar mais baixo desde o início de dezembro de 2016.

As fortes quedas das cotações nesta sexta-feira dão seguimento às já registadas nas últimas sessões, com o “ouro negro” a acumular uma desvalorização de mais de 10% na semana. Caso a tendência se mantenha, essa será a maior queda semanal desde o início do ano passado. A matéria-prima não consegue resistir à pressão negativa resultante do aumento da oferta disponível nos Estados Unidos.

“Estamos a assistir a uma forte reação e a uma mudança de humor”, afirmou Victor Shum, vice-presidente da IHS Energy, em Singapura. Os preços que “dispararam” para valores próximos dos 60 dólares após o acordo entre os países produtores estão a “regressar à realidade” perante o aumento da oferta americana, disse o especialista em petróleo.

Se de um lado, os membros da OPEP se tentam concertar no sentido de limitar a sua produção, nos Estados Unidos a tendência éoposta. Na semana passada, a produção de crude aumentou para 9,29 milhões de barris nos Estados Unidos, o que corresponde ao valor mais elevado desde agosto de 2015, indicam dados oficiais.

No lado oposto, a OPEP prepara-se para reunir-se a 25 de maio, ocasião em que poderá decidir se estende ou não os cortes de produção para a segunda metade do ano.

“É desapontante que os cortes de produção que temos assistido por parte da OPEP e outros produtores não tenha conseguido ter qualquer impacto até agora nos níveis dos inventários globais”, afirmou Ric Spooner, responsável pela estratégia de mercados da CMC Markets, em Sidney. “O mercado parece estar muito mais afastado de uma situação de equilíbrio do que se previa inicialmente. Existe a possibilidade de o petróleo cair para o limite mínimo dos 40 dólares a partir daqui”, antecipou o mesmo especialista.

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