À atenção de Portugal: Troika prepara medidas para aliviar dívida grega

Credores oficiais prepararam medidas para aliviar a dívida da Grécia, numa altura em que em Portugal também se discute necessidade de atenuar peso da dívida sobre a economia.

Comissão Europeia, Mecanismo Europeu de Estabilidade, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional prepararam várias medidas para aliviar o fardo da dívida da Grécia num documento que vai ser enviado ao Eurogrupo para discussão entre os ministros das Finanças da zona euro.

De acordo com o jornal alemão Handelsblatt, citado pela Reuters, uma das opções poderá passar pela transferência do empréstimo do FMI (mais oneroso para os cofres helénicos) para o fundo de resgate europeu, o que permitiria baixar as taxas de juro de parte da dívida de Atenas. Mas há mais medidas previstas, incluindo o prolongamento das maturidades dos empréstimos oficiais e ainda a transferência dos lucros do BCE e dos bancos centrais nacionais com obrigações do Tesouro gregas para Atenas através dos governos nacionais.

Fonte citada pela agência indica que o documento foi originalmente preparado pelos responsáveis do MEE e não pelas quatro instituições, tendo sido já alterado e reformulado, pelo que a versão divulgada pelo Handelsblatt não será aquela que chegará às mãos dos responsáveis pelas pastas das Finanças do bloco da moeda única.

“O paper estabelece várias opções para a reestruturação da dívida grega e especifica possibilidades que foram dadas pelo Eurogrupo em maio último. Uma das opções que permanece é a assunção da dívida do FMI pelo MEE”, revelou a mesma fonte. “Ainda não é claro se o FMI concordará com isso”, acrescentou ainda.

Para Portugal, as negociações em Atenas assumem especial relevância depois das propostas apresentadas por grupo de trabalho do PS e Bloco de Esquerda sobre a reestruturação da dívida portuguesa, algumas das quais coincidentes com o que as instituições deverão propor ao Eurogrupo em relação à Grécia, como a extensão da maturidade dos empréstimos.

Foram várias as propostas apresentadas na última sexta-feira pelos economistas presentes no grupo de trabalho. Entre elas está a mudança de política do Banco de Portugal que deve reduzir provisões e pagar mais dividendos; a redução da maturidade da dívida, fazendo emissões de menor prazo; a redução da almofada financeira, diminuindo os custos de a manter; a aceleração dos pagamentos antecipados ao Fundo Monetário Internacional; e, por fim, uma reestruturação da dívida detida pelas autoridades europeias (não incluindo a dos privados), reduzindo o juro para 1% e estendendo o prazo de pagamento da dívida para os 60 anos.

Falando em Durban, na África do Sul, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, disse esta quinta-feira que a União Europeia precisa de “exercer pressão sobre os governos para implementar as reformas necessárias”.

“Os países que receberam ajuda no âmbito de programas de assistência europeus e que tiveram que implementar reformas desagradáveis, e os países que mantiveram o compromisso com as regras estão entre os mais bem-sucedidos países na União Europeia hoje em dia”, referiu o responsável alemão. “O problema não está por isso nas regras, mas na falta de implementação delas”, conclui.

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