Nunca os portugueses investiram tão pouco em depósitos

As novas aplicações em depósitos ascenderam a 17,5 mil milhões de euros no primeiro trimestre deste ano. É o valor mais baixo do histórico de Banco de Portugal que remonta ao início de 2003.

Os depósitos estão a perder cada vez mais brilho entre as opções de investimento dos portugueses. Dados do Banco de Portugal, indicam que nos primeiros três meses do ano as novas aplicações em depósitos a prazo dos particulares recuaram para um mínimo histórico. A fraca atratividade da remuneração oferecida por estes produtos, a par da forte concorrência dos produtos do Estado que oferecem remunerações bastante superiores, justificam essa descida.

Segundo o Banco de Portugal, no primeiro trimestre deste ano, os particulares aplicaram um total de pouco mais de 17,5 mil milhões de euros, em novos depósitos a prazo. Este montante representa uma diminuição de 10,2% face ao total de que tinha sido aplicado no mesmo período do ano passado: 19,5 mil milhões de euros. É também o valor mais baixo em termos homólogos do histórico do Banco de Portugal que remonta ao início do ano 2003.

Evolução homóloga dos depósitos

Fonte: Banco de Portugal

A diminuição das novas aplicações registada entre janeiro e março deste ano, fez encolher o saldo dos depósitos a prazo para o patamar mais baixo desde julho de 2011, período crítico da crise financeira em Portugal. No final de março deste ano, os portugueses tinham um total de quase 94 mil milhões de euros em depósitos a prazo.

"A redução dos depósitos reflete a preferência das famílias por aplicações alternativas para a poupança, nomeadamente, instrumentos de dívida pública.”

banco de Portugal

Segundo explica o próprio banco central, a quebra das quantias depositadas nos bancos surge da forte concorrência dos produtos de poupança disponibilizados pelo Estado. “A redução dos depósitos reflete a preferência das famílias por aplicações alternativas para a poupança, nomeadamente, instrumentos de dívida pública”, diz o Banco de Portugal.

Tudo isto acontece num contexto em que a remuneração oferecida pelos bancos nos depósitos é cada vez mais baixa, encontrando-se atualmente no patamar mais baixo do histórico disponibilizado pela entidade liderada por Carlos Costa. Em março, a taxa de juro oferecida pela banca nacional nas novas aplicações a prazo situou-se, em média, nos 0,31%. Trata-se da remuneração mais baixa de sempre, tendo em conta o histórico que remonta ao início do ano 2000. A baixa remuneração oferecida deve-se ao nível historicamente baixo da taxa de juro de referência da Zona Euro, que pressiona os indexantes, e do desinteresse dos próprios bancos em captar recursos. A sua prioridade agora é em conceder crédito.

Ora quando olhamos para a oferta dos produtos de poupança do estado, as propostas da banca são claramente pouco atrativas. No caso dos Certificados do tesouro Poupança Mais (CTPM) disponibilizados pelo Estado, é oferecida uma taxa de juro bruta de 1,25% no primeiro ano. Nos quatro anos seguintes a remuneração sobe gradualmente para atingir um valor médio de 2,25%, ao fim dos cinco anos de aplicação. Este valor ainda pode ser superior, já que os CTPM foram desenhados de forma a permitirem um prémio adicional associado à evolução do PIB português.

Até os próprios certificados de aforro, que também têm perdido aplicações para os CTPM, oferecem taxas de juro mais atrativas. Quem subscreveu certificados de aforro em março, teve direito a uma remuneração bruta de 0,669%. Ou seja, também superior aos depósitos a prazo.

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