Portugueses reclamam mais contra instituições de crédito. Deutsche, BBVA e Ford foram os alvos

As reclamações aumentaram, mas, na maioria dos casos, o Banco de Portugal considerou que não havia indícios de infração. Ao todo, o Banco de Portugal instaurou 155 processos de contraordenação.

Os clientes bancários estão a reclamar mais contra as instituições de crédito. No passado, o número de reclamações aumentou quase 5%, mas, na maioria dos casos, não havia indícios de infração, tal como no ano anterior. Deutsche Bank, BBVA e Ford Credit Europe (FCE Bank) foram os principais alvos das reclamações bancárias.

Os dados são do Banco de Portugal e constam do último Relatório de Supervisão Comportamental, relativo ao ano passado. Ao todo, o banco central recebeu e tratou 14.141 reclamações de clientes bancários contra instituições de crédito, um aumento de 4,8% face a 2015. Deste bolo, a maioria das reclamações dizia respeito a cláusulas contratuais, seguindo-se as comissões e encargos e a cobrança de valores em dívida.

Apesar do aumento do número de reclamações, só 36% dos casos foram resolvidos pela instituição em causa, quer por sua iniciativa, quer por indicação do Banco de Portugal. Nos restantes 64% dos casos, o regulador considerou que não havia indícios de infração, o mesmo nível registado um ano antes.

Feitas as contas, o Banco de Portugal emitiu 1.020 recomendações e determinações específicas, dirigidas a 73 instituições. Na maioria dos casos, as recomendações diziam respeito à área de crédito aos consumidores.

Ao todo, o Banco de Portugal instaurou 155 processos de contraordenação a 29 instituições, tendo aumentado os processos de contraordenação relativos às incorreções das comunicações feitas pelas instituições, em nome dos seus clientes, à Central de Responsabilidades de Crédito (43 processos, contra 30 no ano anterior). Seguem-se as irregularidades relacionadas com depósitos bancários (42 processos) e crédito aos consumidores e outros créditos (32 processos).

Há um aumento significativo face a 2015, ano em que o regulador instaurou apenas 33 processos de contraordenação no âmbito das suas funções de supervisão comportamental.

Deutsche Bank, BBVA e Ford no topo das reclamações

No que toca às reclamações nas contas de depósito, o Deustche Bank foi o principal alvo dos clientes, tirando o primeiro lugar ao BBVA, que, este ano, aparece em segundo nesta área. Ao todo, por cada mil contas de depósito à ordem, o Deutsche Bank recebeu 2,32 reclamações no ano passado, seguindo do BBVA e do Banco do Brasil.

Já nas reclamações no crédito ao consumidor, é o FCE Bank que aparece em primeiro, com 2,45 reclamações por cada mil contratos de crédito aos consumidores para a aquisição de automóveis da marca norte-americana Ford. Em segundo lugar, volta a aparecer o Deutsche Bank, seguido da Caixa Leasing. No ano passado, a instituição com mais reclamações nesta área era o Montepio, que baixou consideravelmente nesta tabela, aparecendo no 20.º lugar.

Por fim, no crédito hipotecário, o BBVA continua a ser, tal como no ano passado, a instituição mais contestada, com 2,74 reclamações por cada mil contratos de crédito hipotecário. BIC e Santander Totta completam o “pódio”.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Portugueses reclamam mais contra instituições de crédito. Deutsche, BBVA e Ford foram os alvos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião