Centeno quer rácio da dívida nos 100% do PIB em dez anos

O ministro das Finanças acredita num crescimento económico "consistente", que deverá permitir reduzir o rácio da dívida. E espera para breve uma subida do rating de Portugal.

Se a economia portuguesa mantiver o atual ritmo de crescimento, o rácio da dívida pública sobre o produto interno bruto (PIB) poderá cair para 100% em dez anos. É este o objetivo de Mário Centeno, que acredita que o país tem reunidos “todos os ingredientes” para que a dívida possa diminuir e que garante que o crescimento a que estamos a assistir é consistente.

“Temos de colocar o rácio da dívida sobre o PIB a cair”, começou por dizer, sobre este assunto, o ministro das Finanças, em entrevista à RTP 3, concedida esta quinta-feira. Esse é, segundo Mário Centeno, “o indicador fundamental para medir a capacidade do país de crescer, mesmo com um nível de dívida elevado”. E o ministro das Finanças assegura que Portugal já reúne as duas condições essenciais para alcançar esse objetivo: “O Estado gera saldos primários positivos, ou seja, antes de pagar juros, o Estado tem mais receita do que despesa; e o crescimento da economia deverá superar o que se paga em juros”.

"Temos a equação com todos os ingredientes necessários para que a dívida sobre o PIB possa diminuir e para que, também nessa dimensão, a economia portuguesa possa ser vista como sustentável.”

Mário Centeno

Ministro das Finanças

Somados estes dois fatores, Portugal tem “a equação com todos os ingredientes necessários para que a dívida sobre o PIB possa diminuir e para que, também nessa dimensão, a economia portuguesa possa ser vista como sustentável”, diz Mário Centeno.

O ministro antecipa, assim, que se Portugal mantiver “a tendência que está inscrita no programa de estabilidade, em dez anos podemos colocar o rácio da dívida em 100% do PIB”. Recorde-se que o PIB nacional cresceu 2,8% no primeiro trimestre e, para já, todas as previsões apontam para que este ritmo se mantenha. Centeno espera um crescimento de 3% no segundo trimestre e um crescimento anual superior a 2%.

Saída do PDE vai facilitar subida do rating de Portugal

Sobre a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE), o ministro das Finanças aponta que o país “está num processo de convergência para os seus objetivos de médio prazo, que são definidos com o pressuposto de criar um contexto de previsibilidade”. Até que esse processo de convergência fique concluído, Portugal ainda tem de “cumprir um conjunto de critérios importantes para melhorar os custos de financiamento”. Seja como for, reconhece Mário Centeno, a saída do PDE vem melhorar a reputação de Portugal e deverá acelerar o processo de subida do rating atribuído pelas agências internacionais.

"Temos estado em contacto com as agências de rating de forma permanente e quase todas avaliam os fundamentos de crescimento económico e a capacidade produtiva da economia portuguesa num patamar acima do que se vulgarizou chamar de lixo.”

Mário Centeno

Ministro das Finanças

“Temos estado em contacto com as agências de rating de forma permanente e quase todas avaliam os fundamentos de crescimento económico e a capacidade produtiva da economia portuguesa num patamar acima do que se vulgarizou chamar de lixo”, disse Mário Centeno. Contudo, ressalvou, “o processo de ajustamento e a dificuldade que a economia teve para ganhar credibilidade nesse processo levou a que essas agências reduzam de forma discricionária as suas avaliações abaixo desse nível de investimento”.

Assim, a subida do rating deverá acontecer, mas não será para já. “Esperamos que, com a saída do PDE, possa materializar-se essa alteração nas próximas revisões, que ocorrerão no fim do verão e no princípio de 2018”, apontou Centeno, sublinhando que a subida não será “abruta”, já que, primeiro, terá de ser alterada a perspetiva.

“Há consistência neste crescimento”

Mário Centeno foi ainda confrontado com as declarações do economista João Salgueiro, que considera que nada foi feito, a nível político, para que o PIB crescesse 2,8% no primeiro trimestre. “Aconteceu”, graças aos conflitos no Médio Oriente, que desviaram para Portugal um grande fluxo de turistas, acredita Salgueiro.

Esta é, para o ministro das Finanças, uma “visão niilista da realidade da economia”. Não só porque o crescimento do turismo se deu graças ao “investimento e à criatividade” dos portugueses, mas porque o crescimento da economia não é “um epifenómeno”.

“Crescemos no terceiro e no quarto trimestres do ano passado, muito acima da média dos últimos anos, e voltámos a crescer no primeiro deste ano. Já são três trimestres de crescimento. Temos assistido a uma dinâmica muito consistente, centrada no investimento e nas exportações. Há consistência neste crescimento”; garante Centeno.

O ministro volta, por isso, a antecipar que Portugal tem “todas as condições para poder crescer acima de 2%, em média anual, em 2017”.

“Temos boas razões para ser otimistas e essas razões são o que a economia e a sociedade portuguesas têm feito para dar a volta, concluiu o ministro.

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