OPEP chega a acordo para prolongar cortes, petróleo cai 0,6%

Alta volatilidade em torno das cotações do barril de ouro negro. A OPEP já chegou a acordo. Produção de petróleo prolonga-se por mais nove meses. Mercados acham pouco.

Dois delegados presentes na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) adiantaram ao Financial Times (acesso pago / conteúdo em inglês) que o cartel já chegou um acordo para prolongar os cortes na produção de petróleo por mais nove meses, além do inicialmente estabelecido. Mas o mercado parece pouco convencido da eficácia da decisão.

Tanto o Brent com o WTI já estiveram a valorizar mais de 1% esta manhã. Mas à medida que os vários responsáveis daquele cartel, reunido em Viena, foram falando ao longo da manhã aos jornalistas, os preços do ouro negro iniciaram uma jornada de alta volatilidade. Chegaram a cair mais de 2%. Entretanto, os preços suavizaram as quedas e estão agora a cair 0,66% para 51,01 dólares, no caso do WTI, e 0,52% para 53,70 dólares, no caso do Brent.

Volatilidade do Brent

Fonte: Bloomberg (valores em dólares)

A maior parte dos membros da OPEP esteve alinhada num prolongamento do acordo para controlar a produção de petróleo no seio do cartel por mais nove meses. Isto porque, seis meses após a formação de uma coligação inédita, que juntou até países produtores de fora da OPEP, o mercado continua a apresentar excessos que impedem uma subida sustentada do preço dos barris.

A OPEP e outros 11 produtores concordaram, no ano passado, cortar a produção até 1,8 milhões de barris por dia. Este corte devia durar apenas seis meses. É agora prolongado. Tal como aconteceu no primeiro acordo, vários países fora da OPEP, incluindo a Rússia, vão adotar este corte.

“Opção segura” da Arábia não convence mercado

Esta manhã, o ponto de maior tensão no mercado aconteceu quando o ministro do Petróleo saudita se mostrou mais cauteloso do que o esperado nas declarações aos jornalistas.

Nove meses com o mesmo nível de produção “é uma opção muito segura e quase uma certeza para fazer face ao problema”, declarou Khalid Al-Falih, aos jornalistas. “É provável que encontraremos uma situação de equilíbrio mais cedo do que tarde”, declarou o responsável árabe.

Para o mercado, esta decisão pouco impacto terá. Apesar das extremas variações do petróleo durante a sessão desta quinta-feira, a verdade é que o mercado de opções apresentava-se mais estável, o que deixa antever as expectativas dos investidores em relação aos preços petrolíferos no médio prazo. Praticamente não mudaram face ao nível que o barril está a negociar atualmente.

“Uma extensão de nove meses terá pouco impacto na nossa previsão para 2017, que aponta para um preço médio de 55 dólares por barril para o Brent, referiu a consultora de energia Wood Mackenzie, em antecipação a este acordo.

(Notícia atualizada às 12h01)

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