Altice confirma à CMVM negociação para comprar Media Capital

Em comunicado ao mercado, a dona da operadora Meo confirma "interlocuções exploratórias" para uma eventual oferta sobre o grupo que detém a TVI.

A Altice confirmou que está em negociações para comprar o grupo Media Capital, que detém o canal de televisão TVI entre outros meios. Em comunicado enviado há momentos à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a dona da Meo diz que está em “interlocuções exploratórias com a Prisa relativas a uma possível oferta formal pela Media Capital”.

“Em resposta a uma solicitação dirigida pela CMVM, a Altice confirma que iniciou interlocuções exploratórias com a Promotora de Informaciones relativas à potencial aquisição da participação da Prisa na Media Capital, grupo português do setor dos media e com posições de liderança em televisão, produção audiovisual, rádio, digital, música e entretenimento”, informa o grupo de Media francês liderado fundado por Patrick Drahi.

O comunicado vem assim confirmar as notícias veiculadas pela imprensa espanhola nas últimas semanas e que davam conta, por um lado, da intenção da Prisa de vender a Media Capital para fazer face a compromissos financeiros mais imediatos numa altura de pressão sobre as suas finanças, e, por outro, de vários pretendentes, entre os quais a Altice.

De resto, o grupo Prisa já mandatou o banco Morgan Stanley para ajudar a vender a Media Capital, num negócio que poderá estar avaliado em cerca de 450 milhões de euros. Isto porque Juan Luís Cebrián, presidente do grupo, está a ser pressionado pelos acionistas e sobretudo pelo vencimento de uma dívida no próximo ano no valor de 687 milhões de euros. Deste modo, a venda da Media Capital serviria para pagar parte deste endividamento.

Este fim de semana, o semanário Expresso revelou mais pormenores sobre a operação. Adiantou que as negociações conheceram progressos importantes no final de maio, com o desenho do negócio já numa discussão dos últimos detalhes. Além disso, noticiou que também o Governo está ao corrente de um negócio que poderá ficar fechado já neste verão.

Em 2016, a Media Capital faturou 174 milhões de euros, tendo alcançado um lucro de 19,1 milhões de euros. Além da TVI, detém ainda produtora Plural Entertainment, a Rádio Comercial, Cidade, entre outros meios.

Guerra à vista na televisão portuguesa?

Caso se concretize o negócio, o mercado televisivo pode estar à beira de uma guerra entre operadores de telecomunicações. Para os analistas, este é um cenário que ganhou mais força depois de o presidente da Nos, rival da Meo, ter considerado há poucos meses que “haverá guerra” caso a Altice efetue a aquisição da dona da TVI. E assumiram que a Impresa, que detém a Sic, pode ser alvo de oferta por parte da Nos.

“A Nos não permanecerá passiva nesta guerra. (…) Um cenário possível seria a Nos lançar uma proposta sobre a Impresa, que poderia estar avaliada em 230 milhões de euros”, sublinhou Artur Amaro, analista do CaixaBI, numa nota com o título “A new war ahead?“, lembrando que Altice e Nos já tinham sido protagonistas na guerra pelos direitos televisivos no futebol português no passado recente.

Nuno Matias, do Haitong, sublinhou que “o único ativo detido pela Media Capital que pode ter relevância para as telecoms seria a TVI“, embora tivesse manifestado dúvidas em relação a uma aprovação para parte dos reguladores no sentido de “permita que a PT Portugal (Altice) tenha eventualmente acesso exclusivo a este canal”. Ainda assim, acrescentava: “Outros cenários poderão passar pelo aumento dos custos dos conteúdos para os outros operadores e lembrámos que no passado o CEO da Nos (…) disse que poderia dar uma forte resposta [caso a Altice compre a TVI]”, frisou.

Seja como for, estes rumores têm provocado uma onda de entusiasmo em torno do setor dos media na bolsa de Lisboa, onde os títulos da Impresa duplicaram de valor desde o início do ano. Outros títulos como a Cofina e a própria Media Capital também apresentavam ganhos interessantes.

(Notícia atualizada às 22h40)

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Altice confirma à CMVM negociação para comprar Media Capital

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião