Campanha eleitoral na Venezuela começa hoje

  • Lusa
  • 9 Julho 2017

O presidente Nicolás Maduro quer que a nova Assembleia Constituinte crie uma constituição que acabe "com a corrupção e a burocracia", mas a oposição acha que é a consolidação de uma ditadura.

Hoje é o dia em que se inicia a campanha para o escrutínio de 30 de julho, quando serão eleitos os 545 membros da Assembleia Constituinte (AC) promovida pelo Presidente venezuelano Nicolás Maduro. O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela admitiu 6.120 candidaturas que concorrem aos 545 lugares disponíveis, 364 deles a nível territorial.

Para o Presidente Nicolás Maduro, a Assembleia Constituinte vai redigir uma nova Carta Magna, que deverá traduzir um “grande diálogo nacional e social, acabar com a corrupção e a burocracia, e centrada em ganhar a paz e isolar os violentos”.

A nova Constituição deverá determinar a manutenção dos programas sociais conhecidos como “missões” criadas pelo falecido líder socialista Hugo Chávez, antecessor de Maduro, em matéria de habitação social, educação, saúde e cultura. Os eleitos deverão promover novas formas de democracia participativa, e a democracia direta no social e político, além de dar valor constitucional às comunas e conselhos comunais.

A oposição, organizada na aliança Mesa de Unidade Democrática (MUD), acusa o Governo de avançar com um processo “fraudulento” e reclama que não houve consulta popular sobre as bases.

A MUD alega ainda que o regime pretende usar a Assembleia Constituinte para concluir a instauração de uma ditadura, acabar com a divisão e autonomia de poderes e perseguir os dissidentes.

A convocatória para a eleição de uma Assembleia Constituinte, feita no passado dia 01 de maio pelo Presidente Nicolás Maduro, intensificou as manifestações da oposição que desde abril último se registam no país depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento. Pelo menos 91 pessoas foram assassinadas durante os protestos.

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