Petróleo abaixo dos 40 dólares? Goldman Sachs vê esse risco

O banco de investimento diz que a OPEP precisa de provocar "choque e medo" no mercado petrolífero para conseguir puxar pelo preço da matéria-prima.

O Goldman Sachs incita a Organização dos Países exportadores de Petróleo (OPEP) à ação para impedir que os preços do petróleo voltem a recuar abaixo da fasquia dos 40 dólares. O alerta é deixado pelo banco de investimento numa nota datada da última segunda-feira, citada pela Bloomberg, onde diz que o cartel precisa de aumentar os cortes de produção de modo a travar o desequilíbrio no mercado petrolífero.

Sem esse tipo de ação e a falta de evidência de quedas sustentadas nos inventários, bem como a atividade de exploração nos Estados Unidos, o caminho da cotação do petróleo será rumar para valores aquém dos 40 dólares por barril, acredita o banco de investimento.

O Goldman Sachs lança um alerta relativamente ao risco de uma descida das cotações do “ouro negro” depois de, no mês de junho, ter revisto em baixa as suas estimativas para os próximos três meses relativamente ao preço do petróleo, para os 47,5 dólares. Ou seja, abaixo da estimativa anterior que era de 55 dólares por barril.

Este alerta surge numa altura em que a OPEP denota estar a ter dificuldade em conduzir os cortes concertados da produção da matéria-prima. Em junho, a produção e exportação de petróleo por parte do cartel aumentaram, conduzidos pela isenção de travagem na produção da Nigéria e da Líbia, enquanto a subida da oferta nos Estados Unidos e o aumento da atividade de exploração pesaram nos preços.

Na semana passada, as exploradoras norte-americanas colocaram mais plataformas em atividade, revertendo a quebra que se tinha verificado na semana anterior, e reforçando os receios de que a OPEP não conseguirá ser capaz de ser bem sucedida nos seus esforços de aliviar o excedente petrolífero mundial. De salientar que a produção norte-americana registou na semana terminada a 30 de junho o crescimento mais acelerado desde janeiro deste ano.

"Atendendo a que o mercado está com falta de paciência para manter grandes stocks empatados e crescentemente preocupado relativamente aos balanços do próximo ano, acreditamos que uma subida de preços irá precisar de ser conduzida à cabeça, passando pela restrição em termos da disponibilidade física no curto prazo aos sinais de desaceleração da atividade de xisto nas próximas semanas.”

Goldman Sachs.

“Atendendo a que o mercado está com falta de paciência para manter grandes stocks empatados e crescentemente preocupado relativamente aos balanços do próximo ano, acreditamos que uma subida de preços irá precisar de ser conduzida à cabeça, passando pela restrição em termos da disponibilidade física no curto prazo aos sinais de desaceleração da atividade de xisto nas próximas semanas”, escreveram os analistas do Goldman Sachs.

Relativamente a uma intensificação dos cortes de produção de petróleo por parte da OPE, os analistas do Goldman Sachs acreditam existir margem para uma intensificação, salientando contudo que para o cartel ser bem sucedido nessa missão terá de agir de acordo de uma estratégia de “choque e medo”, e “com pouco anúncio público”.

As cotações do petróleo seguem nesta terça-feira em alta, com o barril de brent a valorizar 0,49%, para os 47,11 dólares por barril. Já o crude soma 0,59%, para os 44,66 dólares.

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