Exclusivo Primeiros moradores do Hub do Beato mudam-se até fim de 2018

Projeto alemão Factory é um dos que vai para o antigo armazém da manutenção militar. Startup Lisboa, responsável pelo projeto, será outro dos futuros 'moradores' do Hub Criativo do Beato.

Hub Criativo do Beato conta com espaço de cerca de 35.000 metros quadrados.Câmara Municipal de Lisboa

Mais de um ano depois de terem sido assinados os primeiros protocolos, o Hub Creativo do Beato dá esta terça-feira a conhecer os primeiros ‘moradores’ da antiga fábrica da manutenção militar que, se tudo correr bem, deverão mudar-se para o completo até ao final de 2018. A Factory, projeto berlinense liderado por Simon Schaefer — diretor da Startup Portugal que o ECO entrevistou em primeira mão — e a Startup Lisboa (uma parte da incubadora que vai assegurar que as startups podem crescer em número de colaboradores sem saírem do mesmo lugar), sabe o ECO, são dois dos primeiros residentes do hub que pretende ser um polo atrator da cidade para as indústrias criativas e empreendedoras a nível internacional.

A 17 de junho de 2016, Miguel Fontes, diretor da Startup Lisboa, dizia que aquele era “o primeiro dia deste projeto”. Não era para menos: é que a Câmara de Lisboa e os parceiros queriam transformar o sítio onde antes se guardava material de guerra num dos mais inovadores e criativos polos de Portugal e um dos mais significativos da Europa.

Esta terça-feira, a Câmara Municipal de Lisboa e a Startup Lisboa apresentam publicamente o projeto Hub Criativo do Beato. Fernando Medina e Miguel Fontes estarão presentes, assim como alguns dos primeiros ‘ocupantes’ do hub que, mais do que agregar peças já existentes do ecossistema, pretende atrair players de fora que tencionem mudar-se ou abrir escritórios em Lisboa. Incubadoras, aceleradoras, gabinetes de inovação de entidades corporate ou até startups para quem o espaço da Startup Lisboa já não é suficiente são algumas das apostas da entidade gestora do espaço. Mas há mais.

1ª tarefa: encontrar uma visão

Na altura em que a cedência do espaço foi anunciada, pouco se sabia sobre o projeto. De imediato, a Câmara de Lisboa entregou a gestão e o planeamento do Hub Criativo do Beato à Startup Lisboa, a incubadora da cidade que trabalha em estreita relação com a autarquia. “Sabíamos que este projeto não podia esgotar-se no espaço”, conta Miguel Fontes, em entrevista ao ECO. Por isso, todo o processo foi direcionado para ouvir o maior número de opiniões e perspetivas possível, sem nunca deixar de observar projetos do mesmo género, um pouco por todo o mundo.

Não podia ser um espaço onde só entrassem startups.

Miguel Fontes

Startup Lisboa

“O primeiro ponto foi a ideia de um hub que agregasse os players sob quatro eixos fundamentais: o próprio empreendedorismo, indústrias criativas, inovação e conhecimento e, por último, startups e global companies“, enumera. Vejamos ao pormenor cada um dos quatro eixos:

  1. Empreendedorismo: inclui coworks, incubadoras, aceleradoras com presença física no Beato.
  2. Indústrias criativas: negócios e indústrias ligadas a áreas como a moda, a música, a publicidade, o vídeo ou a arquitetura, entre outras.
  3. Inovação e conhecimento: captar para o Beato centros específicos de competências, inovação e desenvolvimento e equipas corporate ligadas à inovação que possam estar interessadas em ficar mais perto do ecossistema.
  4. Startups e global companies: de maneira a posicionar Lisboa como uma cidade de referência para empresas que queiram expandir as suas áreas de negócio e os mercados onde atuam.
Hub Criativo do Beato vai ter museus, espaços de exposições, auditórios, espaço de restauração, lavandaria e supermercado.

Uma cidade lá dentro

O Hub Criativo do Beato, localizado nas antigas instalações da Manutenção Militar – ala Sul, um antigo complexo fabril do Exército Português que conta cerca de 20 edifícios, 35 mil metros quadrados, vai ter espaços localizado na freguesia do Beato, e “pretende-se que contribua para a reabilitação urbana da área e para a criação de emprego e atração de empresas com foco na inovação e empreendedorismo”.

A primeira vez que se falou no projeto foi a 9 de maio de 2016, dia em que as Finanças e a Defesa Nacional cederam o espaço à Câmara Municipal para a implantação de um novo hub empreendedor e criativo na cidade. O espaço, arrendado por mais de 7,1 milhões de euros por um prazo máximo de 50 anos, foi apresentado em junho do ano passado. Em junho, dava-se a apresentação pública do espaço. Agora, mais de um ano depois, a apresentação do projeto desenvolvido pela Startup Lisboa em conjunto com os parceiros e com a Câmara da cidade.

“O HCB vai ser um espaço de acesso público, aberto à comunidade, mas não queremos que agrida a realidade do Beato e de Marvila”, explica Miguel Fontes, sobre as linhas mestras do projeto. Por isso, além dos espaços criativos e para as empresas que integrem o espaço, o Hub Criativo do Beato vai ter outros elementos que farão o espaço viver por si. No plano estão, por isso, espaços de restauração, auditórios e espaços de exposição, lavandaria, supermercado e espaços de experimentação, de maneira a que o Hub “não seja um agregador mas um fator de atração”.

Projeto do Hub Criativo do Beato.D.R.

O espaço exterior será livre de carros, family friendly e com vários espaços chill out, que assegurarão a dinamização do espaço para além do horário de trabalho, funcionando como uma mais valia na atração da população para aquela zona da cidade.

"Quisemos fazer de tudo para fugir à ideia de um centro de escritórios.”

Miguel Fontes

Startup Lisboa

Tal como foi anunciado logo no início do processo, todas as obras de infraestruturas nas zonas comuns ficarão a cargo da Câmara de Lisboa, sendo os projetos e as obras no interior dos edifícios da responsabilidade das empresas que ocuparão os espaços. Assim, “o hardware”, como lhe chama Miguel Fontes — a rede de wi-fi, rede de esgotos, arruamentos e outros processos — são da responsabilidade da autarquia. Por outro lado, o “software” — a reabilitação dos espaços — vai ser feito pelos “ocupantes” que terão direito a um “período de carência” enquanto o investimento não tiver sido amortizado.

Recuperação e adaptação dos espaços interiores fica a cargo dos “novos” ocupantes.Câmara Municipal de Lisboa

Miguel Fontes sublinha que, nesta fase, tanto o investimento como a ocupação total dos espaços são muito difíceis de estimar mas acredita que, assim que o espaço esteja “em velocidade de cruzeiro”, será responsável por cerca de 3.000 postos de trabalho.

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