Ryanair ameaça retirar aviões do Reino Unido se não houver acordo pós-Brexit

A companhia aérea irlandesa quer ter a garantia de que há um acordo entre o Reino Unido e a União Europeia para o setor da aviação. Se não houver, ameaça sair dos aeroportos britânicos.

Depois da easyJet, que decidiu criar uma subsidiária na Áustria para fugir ao impacto do Brexit na sua operação, é a Ryanair que vem tomar uma posição: se não houver um acordo entre o Reino Unido e a União Europeia para o setor da aviação, até ao próximo ano, a companhia aérea irlandesa poderá retirar os quase 90 aviões que tem baseados em aeroportos britânicos.

“Continuamos preocupados com a incerteza em torno dos termos da saída do Reino Unido da União Europeia, em março de 2019. Continuamos a fazer campanha para que o Reino Unido se mantenha dentro do acordo de Céu Aberto da União Europeia, mas avisamos que, se o Reino Unido deixar este acordo, poderá não haver tempo suficiente, ou boa vontade de ambos os lados, para negociar um acordo que o substitua“, refere a maior lowcost da Europa, em comunicado enviado às redações.

A verificar-se esse cenário, poderá haver uma “perturbação dos voos entre o Reino Unido e a Europa, de abril de 2019 em diante”, prevê a Ryanair. Assim, deixa o aviso:

“Se não tivermos a certeza sobre a base legal para a operação de voos entre o Reino Unido e a União Europeia até ao outono de 2018, poderemos ser forçados a cancelar voos e a mover alguns, ou todos, os nossos aviões baseados no Reino Unido para a Europa Continental, a partir de abril de 2019”.

Lucros sobem 55% para 397 milhões

No trimestre terminado a 30 de junho, o primeiro do ano fiscal da Ryanair, a companhia aérea registou lucros de 397 milhões de euros, o que representa um aumento de 55% face ao período homólogo.

A contribuir para os resultados esteve o “efeito Páscoa”, que este ano foi em abril e no ano passado tinha sido em março, ou seja, num trimestre diferente.

A lowcost irlandesa aumentou o tráfego em 12%, transportando 35 milhões de passageiros entre abril e junho e fechando o trimestre com uma taxa de ocupação de 96%.

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