Ryanair: “É do interesse da ANA continuar a atrasar o Montijo”

Michael O'Leary, presidente executivo da companhia aérea irlandesa, defende que a gestora dos aeroportos nacionais acelera o processo do Montijo para poder continuar a aumentar preços na Portela.

Michael O’Leary, CEO da RyanairPaula Nunes / ECO

A ANA — Aeroportos de Portugal não tem interesse em acelerar o processo do Montijo. Enquanto o novo aeroporto não for inaugurado, a empresa que faz a gestão dos aeroportos nacionais pode continuar a aumentar os preços na Portela. A crítica é lançada por Michael O’Leary, presidente executivo da Ryanair, que defende que a exploração do novo terminal deveria ser colocada a concurso, e não entregue à ANA.

“A concorrência entre Montijo e Portela seria boa para o consumidor”, disse O’Leary, em conferência de imprensa que decorreu esta quarta-feira, em Lisboa. Se o novo terminal acabar mesmo por ser explorado pela ANA, então, que o seja o mais rápido possível, defende o CEO da Ryanair. O problema, diz, é que a empresa não tem interesse nisso.

"É do interesse da ANA continuar a atrasar a abertura do Montijo. Se o fizerem, podem continuar a aumentar os preços na Portela.”

Michael O'Leary

CEO da Ryanair

“A Portela está cheia porque eles limitam o número de voos [por hora] a 44, em vez de 55, e isso permite-lhes aumentar os preços. Por isso, temos encorajado a ANA a abrir o Montijo já, não esperem até 2021. Tudo o que precisamos no Montijo é de um terminal. As pistas já lá estão, as infraestruturas já lá estão”, diz Michael O’Leary, em declarações ao ECO.

Apesar dos atrasos, o responsável garante que a maior companhia lowcost da Europa vai marcar presença no Montijo — ao contrário, por exemplo, da easyJet, que não rejeitou a ideia, mas que já deixou claro que “o seu ADN” é estar em aeroportos principais. “Definitivamente, iremos para lá. Mas também ficaremos na Portela. Voaremos em ambos, do mesmo modo que, em Londres, voamos em três aeroportos”, refere O’Leary ao ECO.

Ainda sobre o Montijo, Michael O’Leary não tem dúvidas do sucesso do novo terminal. “Porque não há capacidade na Portela para crescer, todas as novas rotas e os novos visitantes irão para o Montijo, assim como os charters“.

Negociações com a TAP retomadas

Na conferência de imprensa desta quarta-feira, Michael O’Leary anunciou ainda que a Ryanair retomou as negociações com a TAP para uma eventual parceria nos voos de longo curso transatlânticos. “Estamos em negociações com a TAP para transferir parte do nosso tráfego para os voos deles. Vemos um futuro em que seremos capazes de fazer isto em Lisboa e no Porto”, adiantou O’Leary.

Estas negociações, iniciadas ainda no ano passado, tinham como objetivo chegar a uma parceria comercial em que a Ryanair garantiria ligações a destinos de longo curso, sobretudo voos transatlânticos, operados pela TAP.

O plano inicial era chegar a acordo já este verão mas, com o processo de privatização da TAP, as negociações foram interrompidas. Agora, e já com uma nova equipa comercial na companhia aérea portuguesa, há novos contactos. “Há pessoas novas no departamento comercial da TAP, pessoas que nos abordaram nas últimas semanas. Vamos ver onde essas negociações vão dar”, aponta a Ryanair.

Ao ECO, O’Leary explica como poderia funcionar essa parceria. “Nós voamos de 24 destinos para Lisboa. A TAP poderia vender os seus voos transatlânticos, usando os nossos voos de curta distância como ligação para Lisboa, enquanto nós poderíamos vender os voos da TAP no nosso site, que é o maior site de vendas de viagens da Europa. Isso permitiria que as pessoas voassem, por exemplo, de Dublin para Nova Iorque via Lisboa, conectando o nosso voo com o da TAP”.

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