Haitong tem novo chairman mas continua à procura de CEO

Lin Yong é o nome escolhido pelos chineses para ocupar a presidência não executiva do Haitong Bank, antigo BES Investimento. Para o cargo de CEO, o nome apresentado não foi bem aceite pelo regulador.

A sede do Haitong Bank em Lisboa.Paula Nunes / ECO

O Haitong Bank vai ter um novo chairman. Hiroki Miyazato, — que desde a saída de José Maria Ricciardi no final do ano passado acumulava a presidência não executiva com o cargo de CEO, — está de saída do banco.

Para o lugar de chairman, os chineses escolheram Lin Yong, que é o CEO do Haitong em Hong Kong. Para o lugar de presidente executivo do banco em Portugal os acionistas escolheram um nome que, segundo apurou o ECO, não é visto com bons olhos pelo Banco de Portugal devido à falta de experiência no setor.

Recorde-se que aquando do regaste do Banco Espírito Santo (BES), em agosto de 2014, o BES Investimento foi integrado no Novo Banco, tendo sido vendido em setembro de 2015 ao grupo chinês Haitong por 379 milhões de euros. O BESI depois mudou de nome para Haitong Bank.

O banco tem vindo a atravessar dificuldades e nos últimos meses encetou, em simultâneo, dois processos de reestruturação, um a nível financeiro e outro a nível de quadros de topo.

Neste último capítulo, já sofreu alguns contratempos, quando tentou e não conseguiu que o advogado Pedro Rebelo de Sousa aceitasse o cargo de administrador não executivo do Haitong Bank. Os chineses também tentaram e não conseguiram que António Domingues, ex-BPI e ex-CGD, se juntasse à equipa.

O Banco de Portugal exige que a lista de administradores do Haitong Bank inclua gestores independentes e, segundo foi noticiado pelo jornal Público em abril (conteúdo pago), o supervisor via com bons olhos que alguns dos quadros da instituição frequentassem programas “curriculares” que envolvessem, por exemplo, ações de formação profissional relacionadas com a estratégia bancária e a atividade financeira.

A anterior administração do banco terminou o mandato no final do ano passado, e ainda aguarda o ok do Banco de Portugal para fechar a equipa que vai comandar os destinos da instituição.

Questionado pelo ECO, o supervisor do sistema bancário rejeitou fazer qualquer comentário acerca deste processo pois “não se pronuncia sobre instituições financeiras individualmente”.

A nível financeiro, em fevereiro desde ano, o banco anunciou um programa de reestruturação — denominado Haitong Bank 2025, — que visava centrar o negócio do antigo BESI na banca de investimento, mercados e investimentos alternativos, com uma clara aposta nos mercados emergentes e na sua estreita relação com a China.

No final desse mês, os sindicatos do setor deram conta de um plano do banco para rescindir com 80 trabalhadores e, um mês volvido, o Haitong Bank — confrontado com prejuízos de quase 100 milhões em 2016 — veio anunciar a intensão de fazer um aumento de capital de 419 milhões, com a injeção de cash e conversão de títulos em capital.

Ao centro, Ricciardi e Hiroki Miyazato, numa cerimónia no ano passado para formalizar um acordo do Haitong com a Euronext.

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