Subutilização do trabalho abrange mais de 900 mil

  • Cristina Oliveira da Silva
  • 9 Agosto 2017

INE começou a divulgar este indicador de forma regular. Abrange desempregados, pessoas em part-time que gostariam de trabalhar mais horas e dois tipos de inativos.

Entre desempregados, empregados que trabalham menos horas do que desejariam e inativos que não procuram emprego ou que, procurando, não estão disponíveis, contam-se 903,3 mil pessoas. Em causa está o indicador referente à subutilização do trabalho, que o Instituto Nacional de Estatística (INE) começou a divulgar de forma regular esta quarta-feira.

Os dados, que reportam ao segundo trimestre do ano, apontam para uma taxa de 16,6%, refletindo aqui a relação entre a subutilização do trabalho e a população ativa alargada — que considera, por seu turno, a população ativa e aqueles dois subgrupos de inativos.

Tanto o número de pessoas abrangidas como a taxa “correspondem praticamente ao dobro da população desempregada e da taxa de desemprego” e esta relação “tem vindo a aumentar”, nota o INE, referindo que, no primeiro trimestre de 2011 “era de 1,6 e 1,5 em cada caso”. Ainda assim, a subutilização de trabalho caiu no segundo trimestre, tanto em cadeia como em termos homólogos.

Quem está então abrangido por este conceito?

  • População desempregada: 461,4 mil
  • Subemprego de trabalhadores a tempo parcial, ou seja, pessoas que desejariam trabalhar mais horas e estavam disponíveis para isso: 210,1 mil
  • Inativos à procura de emprego mas não disponíveis: 27,2 mil
  • Inativos disponíveis mas que não procuram emprego: 204,6 mil

Face aos primeiros três meses do ano, a subutilização de trabalho caiu 8,4%, ou 82,8 mil. Mas comparando com o segundo trimestre do ano passado, o recuo é mais expressivo: 13,7%, ou seja, menos 143,4 mil. Em todas as componentes houve quebras exceto numa: o número de inativos à procura de emprego, mas não disponíveis, aumentou tanto em termos trimestrais como homólogos, atingindo 27,2 mil pessoas no segundo trimestre do ano.

De acordo com o INE, este indicador “tem descrito uma trajetória descendente e próxima da população desempregada, registando decréscimos frequentes” desde o segundo trimestre de 2013.

O INE avisa, porém, que esta medida “sobrestima a subutilização do trabalho” tanto no que diz respeito ao contributo potencial do subemprego de trabalhadores a tempo parcial, já que não considera as horas trabalhadas — “tipicamente, as horas trabalhadas correspondem a metade do total desejado”, diz o destaque — como no que diz respeito à população ativa alargada. Neste último caso, explica o INE, “os dois subgrupos de inativos considerados têm, em geral, uma menor ligação ao mercado de trabalho do que os desempregados, o que se traduz na existência de uma menor probabilidade de transição para a população ativa, de uma maior proporção de pessoas que nunca trabalharam ou que deixaram de trabalhar há mais de dois anos e de uma menor proporção de pessoas que se autoclassificam como desempregadas”.

10,8% dos jovens não estudam nem trabalham

Do total aproximado de 2,2 milhões de jovens, 10,8% não estavam empregados, nem a estudar ou em formação, indica ainda o INE no destaque publicado esta quarta-feira.

Este grupo era composto sobretudo por mulheres, pessoas dos 25 aos 34 anos, com um nível de escolaridade completo até ao terceiro ciclo do ensino básico e desempregados.

O número representa um recuo de um ponto percentual face ao trimestre anterior e de 1,9 pontos comparando com o segundo trimestre de 2016.

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